Declarações de Luna e Silva na Câmara pioraram o que já estava péssimo

Política de preços dos combustíveis da estatal é criticada por toda a sociedade

As declarações do presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, na audiência na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira, contribuíram para azedar um pouco mais a imagem que o mercado tem sobre a política de preços dos combustíveis da estatal.

Apesar de não fazer uma defesa direta da política de paridade internacional, ele afirmou que as regras atuais permitiram que estatal recuperasse o lucro, que foi de R$ 42,8 bilhões no 2° trimestre de 2021, contra prejuízo de R$ 2,7 bilhões registrado no mesmo período do ano passado. Um dos temas da pauta foi a crise hídrica. Para o presidente da Petrobras, com a consequência de uma crise energética, a crise hídrica que já se arrasta “há algum tempo” deve perdurar até novembro.

Na opinião de João Beck, economista e sócio da BRA, ao longo das próximas semanas será importante observar a evolução da crise hídrica. “Atualmente é o maior risco para os mercados e pode contribuir com alguns pontos na inflação e desaceleração do crescimento”, informou à reportagem do Monitor Mercantil.

Para o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, Silva e Luna mentiu sobre a composição de custos da equivocada política de preço de paridade de importação (PPI) e seus impactos nocivos sobre a inflação e o custo de vida do trabalhador.

Segundo ele, mais uma vez, Silva e Luna preferiu culpar o ICMS pela contínua alta dos preços e não disse que o real motivo do governo Bolsonaro para a dolarização dos preços dos combustíveis é estimular uma política de incentivo às importações de derivados e GLP, beneficiando produtores internacionais e importadores, como se o Brasil não produzisse internamente praticamente todo o petróleo que consome e não tivesse capacidade de refino”.

O PPI – que segue as cotações do petróleo no mercado internacional, a variação do dólar e os custos de importação – é uma “política injusta e desproporcional, que não considera que a Petrobrás tem custos internos e não internacionais”, afirmou Bacelar, lembrando que, de janeiro a agosto deste ano, a Petrobras reajustou a gasolina em suas refinarias em 51%. No diesel, o aumento nas refinarias já é de 40% este ano, sendo a Petrobras responsável por cerca de metade do valor cobrado nas bombas.

Alta da gasolina

“Em meio à alta da gasolina, que já alcança R$ 7 em alguns estados, a Petrobras lançou propaganda mentirosa dizendo que recebe em média R$ 2 a cada litro de gasolina. Ação civil pública obrigou a Petrobrás suspender a publicidade enganosa. Mesmo assim, Luna e Silva manteve a mentira durante o debate no plenário da Câmara”, acrescentou o dirigente da FUP.

Bacelar observou que o presidente da Petrobras não disse a verdade quando afirmou que todos os desinvestimentos da estatal estão sendo feitos a preços justos: “Silva e Luna omitiu a venda da refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, para o fundo árabe Mubadala por US$ 1,65 bilhão, metade do valor de mercado, conforme apontou estudo do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) e levantamentos feitos por empresas do mercado financeiro. O mesmo ocorreu com a venda da Refinaria Isaac Sabá, de Manaus (Reman), feita às escuras, sem transparência, a preço de banana, US$ 189 milhões, 70% inferior ao seu valor em comparação com os cálculos estimados pelo Ineep”.

Crise hídrica

Segundo Bacelar, ao ser indagado sobre a crise hídrica e qual política desenvolvida pela Petrobras para garantir o fornecimento de gás às termoelétricas, “Silva e Luna preferiu se calar: não fez referência ao processo de desmonte da empresa que está sendo privatizada aos pedaços. Na contramão da tendência mundial, já vendeu praticamente toda a malha de gasodutos, sua participação na Gaspetro, que fornece gás natural às distribuidoras, suas unidades de energia renovável, como todas as plantas de energia eólica, e está se desfazendo das plantas de biocombustível”.

O coordenador-geral da FUP criticou ainda a política de governança da gestão da Petrobrás: “Silva e Luna disse ter uma forte estrutura de governança corporativa, mas não fez referência ao fato de salário de 220 mil mensais pago ao presidente da Petrobras somado à alta dos preços do gás de cozinha e dos combustíveis e à distribuição de dividendos a acionistas em valores recordes de R$ 41 bilhões gera indignação popular”.

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