Defesa sobrevive à Lava Jato

A Base Industrial de Defesa (BID) passa a contar com mais seis indústrias brasileiras que foram classificadas como Estratégicas (EED) e de Defesa (ED). Ingressam no grupo das EED a Aerotron, de Itajubá (MG), a EPA, de Curitiba, a Fulguris, de Guarulhos (SP), e a Santiago e Cintra Consultoria, de São Paulo. Já Airship do Brasil, de São Carlos (SP), e a Technicae, de Brasília, são as novas ED. A Comissão Mista da Indústria de Defesa (CMID), durante reunião ocorrida nesta segunda-feira, também aprovou quatro Produtos de Defesa (Prode) e 18 Produtos Estratégicos de Defesa (PED).

De acordo com o diretor do Departamento de Catalogação e Promoção Comercial do Ministério da Defesa, almirante Antonio Carlos Soares Guerreiro, a expectativa é que o volume de exportações de equipamentos de emprego militar autorizados possa chegar a US$ 1,5 bilhão este ano, em decorrência dos esforços que estão sendo realizados para fomentar a indústria nacional. No ano passado, este valor chegou a US$ 1,042 bilhão. O acumulado de janeiro a abril deste ano já ultrapassa US$ 570 milhões.

O comércio mundial de armas convencionais é dominado por um clube fechado, cujos principais integrantes são EUA, Rússia e China (e a União Europeia, se considerada em conjunto). Os números não são revelados, mas estima-se que movimenta US$ 100 bilhões ao ano. A participação brasileira é quase uma gota no oceano, mas 1,5% já é suficiente para tirar o lucro de alguns grupos.

Neste contexto, o esforço do Brasil em recuperar sua indústria bélica – menos pela questão das exportações, e mais pela estratégica – sofreu impacto da Operação Lava Jato. Em 2012, o Governo Federal montou as bases atuais e atraiu as grandes empreiteiras. A Norberto Odebrecht, por exemplo, através da Odebrecht Defesa e Tecnologia, controla as empresas responsáveis pela fabricação do submarino nuclear brasileiro. Ainda que afetado, o esforço prossegue. A base industrial do setor totaliza agora 67 EEDs, 14 EDs, 34 Prodes e 330 PEDs. Elas contam com benefícios previstos na Lei 12.598/12, como regime especial de tributação.

Golpe incomoda

O artigo “A imprensa estrangeira não vê golpe”, de Pedro Doria, publicado nesta terça no site de O Globo, utiliza artifícios a que o grupo de mídia vem recorrendo e que dificilmente podem, mesmo pelo manual de ética do próprio jornal, ser classificados como jornalismo.

Doria usa trechos cuidadosamente pinçados de textos de opinião e editoriais publicados pela mídia estrangeira sobre o impeachment de Dilma Rousseff para tentar provar a tese que dá nome a seu artigo. Se colocasse o link para os textos originais, os leitores ficariam mais bem informados.

Para ficar apenas no exemplo do The Guardian, editorial do jornal britânico fala que Dilma nunca foi envolvida no escândalo da Petrobras, que as acusações contra ela não passam de mau comportamento, para os padrões brasileiros, e que os que a acusam são suspeitos de corrupção. O título do editorial – “The Guardian view on Dilma Rousseff’s impeachment: a tragedy and a scandal” – é esclarecedor.

O que fica claro é que a classificação de golpe, assumida pela mídia internacional e por organismos como OEA e Cepal, incomoda, e muito, os grupos de comunicação tradicionais do Brasil. Não é a primeira vez que Globo e parceiros tentam – sem sucesso – derrubar o termo. O artigo de Doria é apenas mais um – e a força que faz para defender a tese fica evidente em trechos como “sem poupar em momento algum o Congresso ou Eduardo Cunha, em nenhum momento o jornal…”. Parece que é o momento de tentar outra tática.

Conflito

Michel Temer fala em auditoria nos bancos públicos, caso assuma o poder, mas ao mesmo tempo as notícias de Brasília dão conta de que nomearia alguém do PP para comandar a Caixa. O partido, junto com o PMDB, indicou Paulo Roberto Costa para uma diretoria da Petrobras; o PP é também o que tem mais integrantes acusados na Lava Jato. Uma ação não combina com a outra.

Longe dos Jogos

Quatro em cada dez cariocas não planeja viajar este ano. Entre os que viajarão, 60% pretende fazê-lo durante o período das Olimpíadas, mostra pesquisa feita com mil moradores da cidade sobre hábitos de consumo turístico. Coordenado pelo professor Bayard Boiteux, da Unisuam, com o apoio da Cesgranrio, o levantamento revela que 20%. vai alugar sua casa para turistas durante os Jogos Olímpicos.

Primeiras-damas

O Brasil não merece uma disputa entre a “bela, recatada e do lar” e a desinibida do gabinete.

Rápidas

A palestra que Osvaldo Nobre fará sobre “O pré-sal e a Petrobras”.no Clube da Aeronáutica (RJ), será na próxima quinta-feira, às 10h. O evento é um desdobramento de artigo escrito no MONITOR MERCANTIL em 8 de dezembro de 2015 (“A imprensa, a Petrobras e o impeachment”), em que o engenheiro e consultor alerta que ainda temos tempo de Brasil e a estatal se recuperarem *** O diretor executivo pelo Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI), Otaviano Canuto, apresenta a palestra “Competitividade e Crescimento da Economia Brasileira”, nesta quarta-feira, durante reunião do Conselho Diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRio).

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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