Déficit, endividamento, emissão de moeda? Sim

Repetir as velhas fórmulas, como tenta o governo, não levará ao mesmo lugar; levará a lugar pior.

Fatos e Comentários / 18:44 - 27 de mar de 2020

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É como se a gripe espanhola de 1918 e a Grande Depressão de 1929 ocorressem ao mesmo tempo, comparou Artur Araújo, consultor da Federação Nacional dos Engenheiros, em recente debate realizado na Fundação Perseu Abramo (PT), em São Paulo.

Diante desse quadro, crises financeira, econômica e epidemiológica simultâneas, Araújo defende “pensar inusitadamente, obrigam a pensar no famoso ‘fora da caixinha’. A gente tem que limpar a visão religiosa da economia, limpar paradigmas. Nós já vínhamos numa crise econômica séria, andando de lado há anos. E tem um elemento-chave: vivemos há um ano uma contínua crise política-institucional. É um governo que cria uma crise por dia. E isso na atividade econômica é tétrico”, analisa.

O grande objetivo de qualquer programa econômico, político, social, é salvar vidas, o que significa dinheiro ilimitado para o SUS, para contenção, prevenção, tratamento, pesquisa e contratações emergenciais”, propõe. Para isso, é preciso abandonar o austericídio que paralisa o país há cinco anos. Déficit, endividamento, emissão de moeda? Sim, diz Araújo, lembrando que o momento exige alternativas assim. “E é dinheiro novo, remanejamento não responde a isso. Não vai ter gente nas ruas, consumindo. O informal vai diretamente pra zero”, diz, citando como exemplos motoristas e entregadores de aplicativos. Pequenas e médias empresas também têm que ser socorridas. Socorro a estados e municípios.

A sugestão vai ao encontro de economistas como Paulo Rabello de Castro, ex-presidente do BNDES, que pregou “jogar dinheiro de helicóptero”, como aconteceu, nos Estados Unidos, na crise de 2008. Até figuras carimbadas do liberalismo, como Pedro Malan e Armínio Fraga, defendem medidas nesse sentido.

A ação emergencial não impede que se comece a pavimentar o caminho de como será o Brasil e o mundo após a crise. Mais do mesmo, como se viu após 2008, apenas aumenta as desigualdades e acirra os conflitos. Como diz Araújo, é hora de pensar fora da caixa.

 

Sem adiamento

A Comissão de Direito Eleitoral da OABRJ entende que é precipitado cogitar o adiamento das eleições, uma vez que a campanha eleitoral tem início apenas na segunda quinzena de agosto, com votação em outubro, período no qual, segundo as previsões das autoridades de saúde, “já estaremos fora do pior cenário da pandemia”.

No próximo dia 4, de acordo com o calendário eleitoral, termina o prazo de filiação partidária e domicílio eleitoral, bem como o início dos prazos de desincompatibilização de alguns cargos públicos.

Foi atendendo a esse prazo que 02 se filiou ao partido do Bispo Macedo. O filho 01 também foi para o Republicanos; como senador, não corre risco de perder mandato.

 

Utilidade

A Superintendência Regional da Receita Federal na 7ª Região Fiscal, que abrange Rio de Janeiro e Espírito Santo, doou 5 milhões de luvas para o Ministério da Saúde. O material será utilizado pelos profissionais da saúde que estão à frente do combate ao coronavírus. As luvas haviam sido apreendidas pela Alfândega da Receita Federal no Porto de Itaguaí (RJ).

Junto com a Superintendência na 9ª Região Fiscal (Paraná e Santa Catarina), a da 7ª incorporou 1.312.500 máscaras e 1.440.000 luvas para uso por todo o pessoal da própria Receita – servidores que trabalham em aeroportos, portos, regiões de fronteiras e no atendimento à sociedade. Diante das necessidades oriundas da pandemia, todos os trâmites legais foram agilizados para a incorporação.

 

Filiação

Os filhos 01 e 02 foram para o partido do Bispo Macedo. Uma pergunta continua sem resposta: para onde foi Queiroz?

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