Déficit zero é pura ideologia

Meta do déficit zero não será cumprida, é pressão para cortar gastos sociais e investimentos públicos

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Roberto Campos Neto e Fernando Haddad
Roberto Campos Neto e Fernando Haddad (foto de Lula Marques, ABr)

A fixação com o déficit zero após a pandemia não é apenas coisa derivada de teorias econômicas ortodoxas. Trata-se de ideologia e disputa por corações e mentes! A análise é de David Deccache, doutor em Economia pela UnB.

“Com a pandemia, ficou clara a capacidade fiscal dos Estados monetariamente soberanos em expandir gastos fortemente para mobilizar e direcionar a capacidade produtiva. O dinheiro que tinha acabado apareceu. A ideologia da austeridade fiscal foi ameaçada. E a ideologia da austeridade é fundamental para a afirmação que não temos dinheiro para manter serviços e investimentos públicos e que portanto precisamos desestatizá-los com privatizações e parcerias público-privadas”, acusa o economista.

Para Deccache, os neoliberais não precisam discutir se os Estados devem ou não ter serviços públicos, apenas afirmam que esse não é um debate, pois o objetivo é o déficit zero, não temos dinheiro, e a austeridade acompanhada de desestatização é a única saída. “Sem essa ideologia de pé, o projeto de mercantilização generalizada de todas as esferas da vida se torna frágil”, sustenta o doutor em Economia.

‘A meta zero, seja no Brasil ou na Argentina, é o símbolo maior desta disputa ideológica entre neoliberais e o que sobrou da esquerda. Tanto é disputa ideológica que a meta zero não será cumprida, nem lá, nem aqui. É agitação, pressão, terrorismo. É a sustentação do argumento de que o dinheiro acabou e precisamos cortar e desestatizar!”, alerta.

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“Derrotar a austeridade fiscal é uma das mais importantes batalhas do nosso tempo. A esquerda não pode abrir mão dessa luta”, finaliza Deccache.

O déficit zero é a oferenda que o ministro Fernando Haddad faz no altar do “mercado”. Como esta coluna abordou no final de outubro (nota “Lula e os ingênuos do ‘mercado’”), se Lula insistir nas amarras fiscais, “apenas deixará o governo mais à mercê de Arthur Lira e seus parceiros. Se realmente chutar o balde, Lula pode iniciar a virada que os eleitores esperam”.

Livrar-se das amaras do déficit zero

A Teoria Moderna Monetária (MMT, em inglês) sustenta que governos soberanos, que emitem suas próprias moedas – e que são aceitas – não apresentam limites de endividamento na moeda que emitem. A recorrente comparação feita por economistas ortodoxos e por suas vozes na imprensa entre as finanças do Estado e as finanças das famílias e empresas é uma fake news que afeta a distribuição de recursos do Estado.

Então é presente

O Natal deve levar 132,9 milhões de consumidores às compras, devendo o período movimentar R$ 74,6 bilhões na economia do país, conforme aponta a pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com a Offerwise Pesquisas.

Segundo estudo realizado pela QualiBest entre 1º e 3 de novembro, em média os brasileiros pretendem gastar até R$ 100 em cada presente.

Rápidas

Juliana Barbiero (ex-CEO da sueca Lexly no Brasil) assume o cargo de CRO (chief revenue officer) do Mercado Legal *** A cantora e compositora Daniela Colla está em estúdio gravando o projeto Daniela canta Colla em homenagem a seu pai, Carlos Colla, autor de sucessos como Falando Sério e Bye Bye Tristeza,falecido no início deste ano.

1 COMENTÁRIO

  1. Incrível ver economista defender a aberração da moderna teoria monetária tendo o claro exemplo da Argentina e Venezuela ao nosso lado que afundam em inflação devido a essa visão insana de que estados podem emitir moeda sem limites. E por alienados assim que países e famílias sofrem com governos irresponsáveis. Quero ver se nas finanças pessoais o autor do artigo TB gasta mais do que ganha e vive de fazer empréstimo…

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