Delivery em supermercados mais que dobrou em dois meses de isolamento

Pesquisa de associação o setor mostra redução esperada no número de clientes nas lojas e geração de quase 2 mil novas vagas.

Rio de Janeiro / 16:08 - 21 de mai de 2020

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A Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) fez um novo levantamento referente ao segundo mês de pandemia e constatou que, no período de 30 dias (de 12 de abril a 11 de maio), houve uma queda de quase 11% no movimento das lojas, em comparação com o mês anterior.

Em relação às vendas, a redução média foi de cerca de 4% neste mesmo período, comparado ao primeiro mês de quarentena, quando houve um crescimento de 21% nas vendas. Porém, se compararmos com o mesmo período do ano passado, as vendas nesses dois primeiros meses de pandemia tiveram um crescimento de mais de 15%.

Segundo o presidente da Asserj, Fábio Queiróz, as medidas de isolamento foram determinantes para uma mudança no comportamento do consumidor. O aumento de pedidos para entrega em casa e a conscientização das pessoas de comprar somente o necessário, reduzindo, com isso, as idas ao supermercado também foram fatores que contribuíram para essa queda.

"A queda de movimento era esperada no segundo mês porque muita gente correu para os supermercados assim que o isolamento começou, com medo de um possível desabastecimento. Mas, desde o início da quarentena, fizemos um trabalho de conscientização junto às redes de supermercados associadas para tranquilizar os consumidores de que todas as lojas estavam abastecidas e orientar na adoção de novos hábitos, como o delivery". Em relação à queda nas vendas, Fabio Queiróz lembra que o desemprego e as incertezas econômicas contribuíram para a retração do consumidor.

Pelo segundo mês consecutivo, houve aumento nas vendas com entrega em casa. Os pedidos via delivery cresceram 114% em relação ao primeiro mês da pandemia. Já no acumulado dos dois meses, os pedidos de entrega fecharam em alta de quase 85%.

Em relação às compras pela internet nos sites das redes, o aumento foi de 94% comparado ao primeiro mês da quarentena. Para Fábio Queiróz, esses números revelam que a população tem seguido as orientações das autoridades a respeito do isolamento: "Esta é a melhor opção neste momento, principalmente para os idosos, que não devem se expor".

Desde o início do isolamento foram quase 2 mil novas vagas de emprego criadas no setor supermercadista. Somente uma grande rede abriu cerca de 508 vagas no período. O segmento é um dos poucos que estão contratando em meio à pandemia.

Para a superintendente da Asserj, Keila Prates, a plataforma será fundamental para aproveitar a mão de obra que foi desligada, mas que tem qualificação e experiência no varejo. "Conseguimos unir duas oportunidades, tanto para quem está precisando trabalhar, quanto para as empresas, que precisam repor profissionais neste momento".

Entre os dias 12 de abril e 11 de maio, cerca de 12% dos empregados e prestadores de serviço das redes associadas foram afastados por terem sintomas da Covid-19 ou fazerem parte do grupo de risco.

 

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