Demanda árabe renova perspectiva para ovinos e caprinos

Abertura de mercados como Kuwait para ovinos e caprinos do Brasil vem despertando interesse para tornar o setor exportador.

Internacional / 12:52 - 4 de jun de 2020

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O setor de caprinos e ovinos do Brasil tem uma nova oportunidade aberta no cenário internacional. Desde março deste ano, já é possível exportar este tipo de carne ao Kuwait. O país do Golfo já havia manifestado interesse pela carne ovina do Brasil em 2017, através da Autoridade Pública para Agricultura e Recursos da Pesca.

A demanda, no entanto, não tem perspectiva de ser atendida no curto ou médio prazo. Isso porque o Brasil ainda precisa importar carne ovina para atender seu consumo próprio de países como o Uruguai, enquanto o setor de caprinos tem pouco incentivo para produzir e carece de maior organização. Segundo os indicadores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Brasil importou 6,39 milhões de quilos de carne de ovino e caprino em 2019.

Hoje, o rebanho nacional de caprinos gira em torno de 9,8 milhões de animais, sendo que 90% se concentra no Nordeste. Já os ovinos são 18 milhões - 60% está no Nordeste e 25% no sul do país. A produção de carne de ovinos é de 91 milhões de toneladas. Para suprir o mercado interno, o Brasil ainda importa pelo menos 10% do volume que consome, a maior parte do Uruguai.

Segundo o pesquisador Marco Bomfim, chefe-geral da unidade Caprinos e Ovinos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que participou da missão da Embrapa aos Emirados Árabes Unidos, o Brasil está atento à procura externa. “Temos um mercado de exportação demandante. Tivemos demanda do mercado árabe, de países como o Egito. Mas hoje o sistema da caprinocultura no país não está preparado. Normalmente, a necessidade é de animais vivos. Há uma perspectiva porque a cadeia tem crescido. Nos últimos anos cresceu 75% no país. A cadeia está se organizando. Temos vários abatedouros especializados visando esse mercado no Oriente Médio”, afirmou em entrevista por telefone.

Uma fonte no Kuwait informou à ANBA que a demanda pelo produto realmente existe, mas seria preciso um longo planejamento para definir o volume, a qualidade e a que preço o Brasil poderia entregá-la. Segundo a fonte, assim como o mercado de frango é todo brasileiro no Kuwait, o de ovinos e caprinos é totalmente da Nova Zelândia. Já os caprinos comprados pelo país árabe são vendidos principalmente por nações como a Somália e a Índia, ambos mais próximos geograficamente ao Kuwait do que o Brasil.

Para driblar estas barreiras, Marco Bomfim acredita que os produtores têm a seu favor experiências prévias do setor de bovinos e aves.

"Como o Brasil tem uma ótima relação com esses países, há uma perspectiva de fazer esse mix para comercialização. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, esteve no ano passado no Egito, onde houve demanda por 10 mil cabeças de caprinos. Não estamos ainda preparados para suprir isso, mas é uma demanda real" explicou.

A ideia é que o setor se beneficie da logística já estabelecida pelos embarques das outras carnes. "As perspectivas são muito boas. Não é para curto prazo, mas o Mapa tem incentivado a diversificação. Já há um interesse muito grande em animais vivos, mas em alguns países é importante que o abate seja halal aqui" explicou ele.

Entre os árabes, a maior procura é por cordeiros, enquanto os caprinos são mais vistos como rebanho para produção de leite. Os Emirados possuem, segundo Bomfim, pequenos criadores de caprinos e ovinos. Esse é um dos pontos que o país árabe quer que a Embrapa apoie ao estabelecer um escritório lá, o que está em negociação.

 

Agência de Notícias Brasil-Árabe

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