Demanda por crédito sobe pelo 6º mês seguido com alta de 8% em outubro

Prioridade é o gasto com serviços.

A demanda por crédito cresceu pelo sexto mês consecutivo entre os brasileiros, o que indica que o receio perante as incertezas do cenário econômico pode estar ficando para trás. De acordo com o Índice Neurotech de Demanda por Crédito (INDC), a busca por financiamento subiu 8% em outubro, na comparação com setembro. O estudo mostrou que a prioridade é o gasto com serviços, com o crescimento de 33% em relação ao mês anterior. Foi a melhor marca do segmento desde maio, quando a demanda por crédito, no geral, voltou a crescer e não parou mais. Entre as demais categorias avaliadas pelo INDC, os bancos apresentaram alta de 7% na comparação com setembro. Já o varejo apresentou baixa pelo segundo mês consecutivo, repetindo a queda de 4% registrada no período entre agosto e setembro.

Para Breno Costa, diretor executivo da Neurotech, o resultado reflete uma tendência da população em priorizar aspectos que fogem do consumo material. “Economicamente, o país ainda passa por dificuldades e a inflação torna grande parte dos produtos muito mais caros. Não é tão diferente com o setor de serviços, por exemplo, mas para uma população que aguentou tanto tempo dentro de casa, sem poder sair, é normal que ela queira gastar mais com lazer, turismo, entre outros pontos, até mesmo para retomar a forma de se relacionar com o mundo externo”, afirma.

As próprias subcategorias do setor varejista reforçam a ideia de maior procura pelo “essencial”. O interesse em eletromóveis, por exemplo, caiu novamente, desta vez em 17%. Lojas de departamento tiveram um crescimento de apenas 5%. Já o setor de supermercados apresentou queda de 1% na análise do INDC. Porém, não é o pior dos cenários, considerando o retrospecto recente. “Os supermercados cresceram por três meses consecutivos, sendo que em setembro o interesse dos consumidores em adquirir crédito para compras nesse segmento subiu 119%. Podemos considerar essa queda de agora irrisória. Ela mostra que as pessoas estão priorizando o básico, mas com alguma dificuldade”, explica Costa.

Em relação ao ano passado, outubro de 2021 acumulou um volume de demanda por crédito 10% superior ao registrado no mesmo mês em 2020. Na mesma comparação, o setor de serviços mostra ainda mais sua força, tendo crescido 82%. A intenção de gasto do crédito com bancos e instituições financeiras tiveram alta de 3%, enquanto o varejo registrou 0%. O Índice Neurotech de Demanda por Crédito (INDC) abrange um universo de 94 empresas, instituições financeiras e varejistas e mensura o apetite do brasileiro pelo crédito. Nem todas as milhões de consultas mensais registradas se transformam em concessão de crédito, pois o processo depende de fatores como o perfil da pessoa que está fazendo a solicitação, o apetite ao risco da financeira e se há ou não indícios de fraude.

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