Demissões em bares e restaurantes atingiram em média 37% das equipes

Levantamento der associação do setor mostra que 27% dos estabelecimentos apresentaram queda de faturamento acima de 50% em 2020.

Pesquisa da Associação Nacional de Restaurantes (ANR) da série Covid-19, em parceria com a consultoria Galunion, especializada no mercado food service, apontou que o setor ainda enfrenta sérios problemas na retomada. 64% das empresas afirmaram que demitiram na crise. Os cortes alcançaram 37% do total das equipes. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o setor tem um saldo negativo de 236.350 postos de trabalho com carteira assinada em 2020 até setembro. Mais de 500 empresas de todo o país participaram da pesquisa, realizada entre 7 e 27 de novembro. Outro dado preocupante e que irá merecer a atenção dos governos diz respeito aos tributos: 39% afirmaram que estão com pagamentos atrasados. Desse total, 34% irão aguardar opções de parcelamento e outros 31% dizem que conseguirão pagar apenas se houver descontos, mesmo com o financiamento da dívida.

Para 29%, o motivo é o ponto do estabelecimento, instalado em shoppings, aeroportos ou próximos a escritórios, locais que ainda não retomaram o movimento. Outros 27% apontaram a falta de confiança do consumidor como causa. Para 24%, o problema maior é a queda da renda dos clientes na pandemia e outros 20% atribuíram os resultados às limitações de horários impostas pelas legislações estaduais ou municipais.

Ainda segundo o estudo, 37% das empresas que possuem mais de uma unidade já promoveram o fechamento de lojas. Em relação ao faturamento do mês de outubro, comparado com o mesmo período de 2019, 27% afirmaram que tiveram queda acima de 50%, enquanto para outros 29% a receita diminuiu entre 26% e 50%.

Os resultados apontaram uma melhora no índice de sobrevivência das empresas. Em agosto, 22% dos entrevistados afirmaram que fechariam as portas. O número agora é de 9%. Outro dado positivo foi a melhora do crédito. Dos 58% que pediram, 75% afirmam ter conseguido utilizar alguma das linhas oferecidas pelos governos. Na pesquisa anterior, o índice de aceitação das propostas era de 50%. O motivo alegado pela maioria das empresas que tiveram propostas recusadas (61%) foi a escassez dos recursos das linhas anunciadas. A pesquisa também perguntou às empresas sobre a capacidade de liquidez para pagar a folha de novembro e o 13º salário. 74% afirmaram que dispõe de recursos em caixa, enquanto outros 26% disseram que não.

Em relação ao futuro, 41% afirmaram estar aberto a novas parcerias de negócios e investidores, 37% estão investindo em formatos e novos canais (dark kitchen, cloud kitchen, varejo), 23% em novas marcas próprias, 22% buscam financiamento/investidores, mas não abrem mão de controlar o negócio e 22% querem vender o negócio. De outro lado, evidenciando o momento de transição, o estudo apontou que 23% das vendas ainda são pagas em dinheiro em espécie.

Já o Sebrae lançou, na primeira quinzena de dezembro, o novo Anuário do Trabalho nos Pequenos Negócios. O documento traça um panorama completo da geração de empregos pelo segmento e compara a atuação das micro e pequenas empresas com as médias e grandes empresas. Elaborado em parceria com o Dieese, há dez anos, o Anuário é uma importante ferramenta para a elaboração de estudos, análises e de políticas públicas que incrementem o empreendedorismo no país e fomentem a ampliação da geração de empregos.

Construído com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério da Economia, de 2018 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) o documento identifica, em suas 327 páginas, as diferenças salariais entre homens e mulheres, a migração de trabalhadores para o interior, a escolaridade de trabalhadores, empreendedores e trabalhadores por conta própria, além proporcionar informações sobre a quantidade de empresas, empregadores e de empregos por estados e regiões, entre outras.

O Anuário confirma o aumento do número de micro e pequenas empresas e indica que, mesmo com uma leve queda de 3,2% (em 2018), o setor não perdeu relevância como fonte de geração de emprego e renda. De acordo com dados do Sebrae, esse segmento é responsável por 54% dos empregos brasileiros e por 44% da massa salarial dos trabalhadores. Ainda é possível identificar, a partir dos dados da publicação, que a remuneração média real dos empregados nas micro e pequenas empresas tem registrado um aumento superior ao das médias e grandes empresas. Entre os anos de 2011 e 2018, os trabalhadores dos pequenos negócios viram seus salários serem valorizados em 11,2% (quase três vezes mais do que os das médias e grandes empresas, que no mesmo período tiveram um crescimento de 4,4%). Isso fez com que a diferença salarial entre esses dois segmentos caísse quase 10 pontos percentuais, passando de 58% (2011) para 48,3% (2018).

As micro e pequenas empresas também exercem um importante papel na redução das desigualdades de gênero no Brasil, pois é nelas que existem as menores diferenças salariais entre homes e mulheres. É também nas MPE que tem se dado uma maior participação das mulheres na função de empregadoras.

Apesar de os homens ainda ganharem mais do que as mulheres, tanto em empresas de pequeno porte quanto nas de médio e grande porte, as diferenças salariais entre os dois gêneros nas médias e grandes empresas é duas vezes superior quando comparado com as micro e pequenas empresas. Os homens empregados nas MGE têm remuneração 30,1% maior. Já nas MPE, essa diferença cai para 14,5%.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Contração seguida do PIB configura recessão técnica

A quinta-feira foi marcada pela repercussão dos dados divulgados sobre o Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos...

BR do Mar tira empregos e financiamento do Brasil

Senado reduz tripulação mínima brasileira para apenas 1/3; abertura na cabotagem não tem precedentes no mundo.

Plenário do Senado derruba esquema de securitização

Sistema desviava impostos pagos pela sociedade para garantir títulos financeiros.

Últimas Notícias

Contração seguida do PIB configura recessão técnica

A quinta-feira foi marcada pela repercussão dos dados divulgados sobre o Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos...

Renova Energia fecha negócio da Brasil PCH

A Renova Energia, em recuperação judicial, concluiu nesta quinta-feira a venda de sua posição majoritária na Brasil PCH, sociedade que reúne 13 usinas de...

ANP aprova novas regras para firmas inspetoras de combustíveis

A Diretoria da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou nesta quinta-feira (02) a resolução que revisa os requisitos necessários para...

Dia de alta para Petrobras e Braskem

A quinta-feira foi um dia de propensão a risco. “Tivemos uma alta bastante expressiva de alguns papéis na bolsa como Petrobras e Braskem. A...

B3 faz leilão do Fundo de Investimentos da Amazônia

Dia 16 de dezembro, a B3 realizará o leilão de valores mobiliários integrantes da carteira de ações do Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam),...