Demissões em micro e pequenas indústrias têm pior resultado em 2 anos

Já quando o assunto é MEI, país tem recorde de abertura, sendo o setor de serviços é o principal responsável pelo maior resultado desde o início da série em 2010.

Há quase dois anos as micro e pequenas indústrias não registravam números de emprego tão ruins. O setor, que a partir de julho de 2019 vinha reportando aumento na abertura de vagas, segue demitindo mais que contratando desde o início da pandemia. As informações são do Indicador de Atividade da Micro e Pequena Indústria, realizado pelo Datafolha, a pedido do Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo (Simpi), que coletou dados entre 13 e 29 abril.

O índice de contratações, que varia de zero a 200, teve queda de 95 para 90 pontos entre março e abril, o pior resultado do ano. Registros abaixo de 100 pontos apontam para perda de postos de trabalho, ou seja, mais demissões do que contratações. Considerando o atual cenário de incertezas, com o alto custo de produção e queda no consumo, a expectativa é de aumento no desemprego nos próximos meses para 69% das micro e pequenas indústrias consultadas na pesquisa. Também o maior índice de pessimismo registrado nos últimos cinco anos.

O índice de satisfação das MPI’s no Estado de São Paulo (onde estão 42% delas em todo o Brasil) mostra o pior resultado de 2021. Em janeiro alcançou 126 pontos, indicando otimismo, mas voltou a cair, revelando a pior nota dos últimos quatro anos. Em relação ao resultado das vendas nas micro e pequenas indústrias, o montante registrado ficou abaixo do esperado para 68% dos entrevistados. Para 25% está dentro do esperado e apenas 7% afirmaram que venderam acima do esperado.

Numa avaliação geral da economia do país, de acordo com a pesquisa, 64% das micro e pequenas indústrias consultadas classificam como ruim ou péssima. Para 28%, a situação é regular. E apenas 7% percebem como boa ou ótima. Em relação ao futuro próximo, 47% dos entrevistados na pesquisa acreditam que a situação econômica do Brasil vai piorar. Para 29%, ficará como está. E outros 21% acham que vai melhorar.

A previsão é pessimista também com relação à expectativa de inflação. Para 77% das MPI’s consultadas, a inflação deve aumentar nos próximos meses. Este é o segundo pior resultado de acordo com a série histórica da pesquisa, iniciada em 2013. Ainda de acordo com a pesquisa, para 18%, a inflação deve ficar como está. E 4% acreditam que vai diminuir.

Por outro lado, o Indicador de Nascimento de Empresas da Serasa Experian registrou em janeiro deste ano 312.462 novos microempreendedores individuais (MEIs), crescimento de 21% em relação ao mesmo mês de 2020. Esse número é o maior de toda a série histórica, que começou em 2010. Na soma de todos os portes, 370.581 empresas foram abertas em janeiro deste ano, um aumento de 15,6% na comparação com o mesmo mês do ano anterior e também o maior volume mensal desde 2010.

Além do crescimento de 21% na comparação anual dos MEIs, as sociedades limitadas também registraram aumento de 42,6%. Já as empresas individuais tiveram queda de 16,7% na mesma análise.

Por setor, serviços ganha destaque sendo o principal responsável pelo recorde do índice, com a abertura de 246.859 novos negócios, o maior número desde 2010. No entanto, a comparação interanual (janeiro de 2021 x janeiro de 2020) revela que o segmento de comércio foi o que mais cresceu. Ainda na comparação anual, a análise mostra que todas as regiões brasileiras tiveram aumento: Nordeste (24,5%), Norte (15,7%), Sul (15,4%), Centro-Oeste (14,0%) e Sudeste (13,2%).

Pesquisa realizada pela Serasa Experian em fevereiro deste ano mostra que, apesar dos desafios, muitos empreendedores brasileiros viram oportunidades durante a pandemia, principalmente para aprender novas modalidades de vendas e prestação de serviços.

De acordo com os dados, 73,4% dos empreendedores vendiam ou passaram a utilizar as vendas online para garantir o fluxo de caixa no período de pandemia. Questionados sobre os benefícios dessa atividade digital, os principais apontamentos foram, o aumento da exposição da marca, o maior alcance de clientes e a possibilidade de atendimento em diversas regiões. Por isso, 83,1% dos entrevistados pretendem continuar trabalhando com o auxílio do ambiente virtual. Outro recorte interessante foi o crescimento de 27,6% registrado para aqueles que estão investindo em novas tecnologias.

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