Democracia sob ameaça se espalha na AL

Rafael Correa recebe tratamento idêntico ao aplicado em Lula

Política / 00:16 - 9 de set de 2020

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Ao contestar a imposição aplicada ao ex-presidente do Equador Rafael Correa, que está sendo alvo de perseguição judicial em seu país, o ex-presidente Lula afirmou que “minha solidariedade ao companheiro @MashiRafael, vítima de uma condenação injusta e abusiva, cujo único objetivo é impedi-lo de ser candidato nas eleições do Equador”.

Em publicação no Twitter, o ex-presidente brasileiro ainda fez uma comparação com o que ocorreu contra ele nas eleições de 2018. Lula foi impedido de se candidatar após ser condenado ilegalmente pela Lava Jato. “Mais uma vez o uso político da justiça, a serviço das elites e dos interesses estrangeiros. Já vimos esse filme”, destacou.

O ex-presidente reagiu por mensagem no Twitter: “Eles finalmente conseguiram. Em tempo recorde, emitiram uma sentença 'final' para me desqualificar como candidato. Eles não entendem que a única coisa que eles fazem é aumentar o apoio popular”. E acrescentou: “Vou ficar bem. Dê toda a sua solidariedade aos perseguidos lá. Lembre-se: a única coisa a que eles nos condenam é à vitória”, informa a RT.

Durante a leitura da resolução, o Tribunal rejeitou a alegação de falta de provas sobre o suposto suborno passivo. Para os juízes equatorianos, Correa agiu por “influência psíquica”, com a qual instigou outros funcionários de seu governo a receber propina.

Em março passado, Correa foi condenado a 8 anos de prisão, após ser acusado de financiar atividades de proselitismo de seu partido político, o Alianza País com dinheiro de empreiteiros. Entre as empresas envolvidas está a construtora brasileira Odebrecht, investigada em outros processos judiciais na região.

O caso também envolveu o ex-vice-presidente Jorge Glas; o ex-secretário jurídico da presidência, Alexis Mera; e a ex-ministra dos Transportes e Obras Públicas, María de los Ángeles Duarte.

De acordo com a Procuradoria Geral do Estado, os supostos subornos ocorreram entre 2012 e 2016 e ultrapassariam os US$ 7,5 milhões.

Antes da decisão do tribunal, manifestantes a favor e contra o processo contra o ex-presidente se reuniram do lado de fora. A sentença contra Correa e os outros 15 condenados só pode ser contestada perante o Tribunal Constitucional ou perante tribunais internacionais, como a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

O ex-presidente considerou esse processo como uma forma de impedir sua participação na vida política do Equador, onde, segundo ele, o Estado de Direito não existe. De acordo com as últimas pesquisas, Correa despontava como 31,4% de intenção de voto.

 

Morales fora do Senado

 

No quadro da perseguição às forças progressistas bolivianas, a proibição à candidatura de Evo Morales ao Senado foi confirmada. Nesta segunda-feira, o juiz Alfredo Jaimes Terrazas, membro da Terceira Câmara Constitucional da cidade de El Alto, se pronunciou a favor da eliminação da candidatura de Evo Morales ao Senado por Cochabamba.

Em 1º de setembro, a Segunda Câmara Constitucional de La Paz não se pronunciou sobre a origem da desqualificação de Morales, porque havia empate entre os membros. Por isso, outro integrante do órgão foi intimado a atuar como colono da disputa. A mídia local noticiou que o juiz fundamentou sua decisão após fazer uma análise das “provas apresentadas” e examinar o recurso da defesa de Morales. Em decisão anterior, o presidente da Corte eleitoral, Salvador Romero, informou que o órgão invalidou a candidatura de Morales “por não cumprir o requisito de residência permanente”.

 

Boicote na Venezuela

 

Enquanto isso, na Venezuela, os contrários ao governo do presidente Nicolás Maduro, partidos de oposição publicaram um comunicado no site da Assembleia Nacional (parlamento) dizendo que as eleições serão “manipuladas” pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), que governa o país com legendas aliadas bolivarianas e de esquerda. Ao anunciar o boicote às eleições, os partidos oposicionistas procuram negar que sejam abstencionistas e tentam justificar sua atitude alegando que “não há abstenção quando o que se convoca não é uma eleição”. Os partidos oposicionistas condicionam sua participação no leito ao cumprimento de dez medidas, entre elas a formação de um Conselho Nacional Eleitoral (CNE) independente.

 

 

 

 

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