Demografia de empresas e pandemia em SP: evidências preliminares

Apesar da queda abrupta na natalidade, quase 8 mil empresas foram abertas após o início da pandemia.

Opinião do Analista / 17:05 - 21 de mai de 2020

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Este texto apresenta dados sobre a abertura e o fechamento de empresas e filiais no estado de São Paulo, nas sete semanas posteriores ao início da vigência das medidas de distanciamento social no estado – entre 18 de março e 5 de maio de 2020.

Os dados da pesquisa foram extraídos do Diário Oficial do Estado de São Paulo, da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), que publica semanalmente todas as anotações relativas a alterações de empresas. Analisam-se dois indicadores, antes e depois da pandemia: o volume médio semanal de aberturas e fechamentos e a participação de cada setor ou atividade no total de empresas abertas. Os resultados apontam quedas, pós-pandemia, de 72% nas aberturas e de 93% nos encerramentos de empresas, no agregado. Já as aberturas e os encerramentos de filiais apresentaram quedas semelhantes, da ordem de 73%. Desagregando-se os dados por atividade econômica, observamos diferenças significativas na criação de empresas: os setores de informação e comunicação (-55%), saúde humana (-59%) e atividades profissionais, científicas e técnicas (-65%) apresentaram quedas inferiores à média da economia. Em contrapartida, destacaram-se negativamente os setores de artes, cultura, esporte e recreação (-83%), outras atividades de serviços (-83%), construção (-80%) e alojamento e alimentação (-80%), com quedas significativamente superiores à média da economia.

Apesar da queda abrupta na natalidade, quase 8 mil empresas foram abertas após o início da pandemia. Para analisar essa informação, observamos as divisões da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) responsáveis por 90% das aberturas pós-pandemia, com o objetivo de identificar quais segmentos têm melhor desempenho diante do distanciamento social.

No comércio varejista, vestuário, calçados, tecidos, colchoaria, iluminação e linha branca reduziram fortemente a participação nas aberturas, enquanto equipamentos de informática, telefonia e comunicações e gás liquefeito de petróleo (GLP) aumentaram. Nas atividades de serviços de escritório, a organização de eventos perdeu participação para serviços de escritório e apoio administrativo.

No comércio atacadista, máquinas, aparelhos e equipamentos, exceto de tecnologias de informação e comunicação, perderam para outros segmentos, como o de alimentos e insumos agropecuários. Nos transportes terrestres, o segmento de passageiros apresentou uma forte queda, em contraste com o segmento de cargas, com uma forte alta.

Por fim, deve-se destacar a força do empreendedorismo nas atividades profissionais, científicas e técnicas e também dos serviços financeiros, com destaque positivo para publicidade, consultoria em gestão empresarial, outras atividades profissionais, científicas e técnicas, serviços de arquitetura e engenharia e atividades de contabilidade e de auditoria. Esses segmentos, em conjunção com o setor de informação e comunicação, constituem o polo econômico com maior dinamismo no mundo pós-pandemia.

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Alexandre Samy de Castro e Bruno Filomeno da Rocha

 

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