Depois de fatiar Petrobras, Bolsonaro quer ‘finalizar’ privatização

Governo quer vender ações e deixar de ser acionista majoritário.

O Brasil ocupa a 23ª posição em reservas mundiais de petróleo e gás, com um volume de 16 bilhões de barris equivalentes de petróleo. Também deve superar as expectativas de produção de petróleo em 2022, fato que deverá sair na revisão do Plano Decenal de Expansão de Energia 2030 até fevereiro. Na versão atual espera-se 3,4 milhões de barris por dia até o fim do próximo ano.

Mesmo com o conhecimento de tão expressivos números o governo Bolsonaro, ao justificar mais um aumento nos preços de combustíveis, voltou a ameaçar, pela segunda vez em uma semana, a possibilidade de privatização da petroleira, um tema que sempre esteve nos planos do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Segundo informações da CNN Brasil, o governo planeja apresentar projeto de lei que permite que a União venda ações ordinárias e preferenciais da Petrobras, abrindo mão de ser a acionista majoritária da estatal. Já a agência Reuters relatou que Bolsonaro disse que a privatização da Petrobras “entrou no radar”, em entrevista a uma rádio do Mato Grosso do Sul.

“Isso entrou no nosso radar. Mas privatizar qualquer empresa não é como alguns pensam, que é pegar a empresa botar na prateleira e amanhã quem der mais leva embora. É uma complicação enorme. Ainda mais quando se fala em combustível. Se você tirar do monopólio do Estado, que existe, e botar no monopólio de uma pessoa particular, fica a mesma coisa ou talvez até pior”, disse Bolsonaro à rádio Caçula, de Três Lagoas (MS). Ele esqueceu de dizer que não existe mais monopólio da Petrobras tanto na exploração como no refino dos combustíveis.

É bom lembrar que o PPI, criado em 2016 pelo então presidente Michel Temer e mantido pelo governo Bolsonaro, serve de forma deliberada para favorecer os importadores de combustíveis, com a diretoria da empresa atuando como facilitadora, reduzindo a produtividade de suas refinarias e as colocando à venda. Ao comemorar nesta segunda-feira cinco anos de existência, essa política de preço de paridade de importação fez, determinou mais um reajuste, acumulando alta dos combustíveis muito acima da inflação, em todas e quaisquer comparações. Com isso, somente neste ano, já são, nas refinarias, 12 aumentos na gasolina, 13 no diesel e 8 no GLP. A disparada no preço dos combustíveis é um dos fatores que mais pesam na inflação, que já passou de 10,2% nos últimos 12 meses.

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