Deputados brasileiros gastam 62% a mais que setor privado

Congresso é o segundo Legislativo mais caro do mundo, ficando atrás apenas dos EUA.

O Congresso é o segundo Legislativo mais caro do mundo, ficando atrás apenas dos EUA. É o que aponta levantamento da plataforma VExpenses. Somando os valores da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, os custos são de quase R$ 30 milhões por dia, mesmo em finais de semana e feriados. O preocupante é que a Lei Orçamentária Anual prevê que deveriam somar quase R$ 6,3 bilhões, enquanto que o Senado R$ 4,5 bilhões.

O estudo da VExpenses realizado em junho teve por base o Portal da Transparência para comparar os valores dos gastos comuns entre setor público e privado. Além disso, a empresa também buscou analisar as diferenças apresentadas pelos valores dos gastos do setor público em 2021 em comparação com as mesmas despesas realizadas em 2020.

De acordo com o levantamento, no período de janeiro a maio deste ano, os deputados brasileiros apresentaram um gasto médio geral 62% maior do que os executivos do setor privado, dentro das nove categorias consideradas na pesquisa. Os gastos médios do setor privado utilizados para essa análise foram levantados pela startup junto a 1.423 empresas de todas as cinco regiões do país.

As maiores diferenças aparecem nos gastos com passagens terrestres, marítimas ou fluviais, e despesas com locação ou fretamento de veículos automotores. Nestas categorias, o setor público apresentou um gasto médio 82,4% e 78,8% mais caro, respectivamente, do que o setor privado.

Já o custo assumido pelo setor público nas categorias de combustíveis/lubrificantes teve um valor médio 38,7% mais alto do que as mesmas despesas do setor privado. O mesmo ocorreu com os gastos de hospedagem e passagem aérea, que apresentaram valor médio 15,7% e 24,3% mais caros, respectivamente, do que o pago pelos executivos do setor privado.

Além de comparar os gastos entre os setores público e privado, o VExpenses ainda analisou a evolução dos gastos dos deputados em 2021 em relação a 2020. As despesas de hospedagem e passagem aérea foram as que registraram as maiores altas em valores totais, quando comparado os gastos nos primeiros cinco meses do ano de 2020 e 2021. As altas foram de 12,7% para combustíveis/lubrificantes, 24,7% para hospedagem e 24,3% nas passagens aéreas.

Além disso, entre os deputados brasileiros, o gasto médio com o fornecimento de alimentação e serviços de táxi, pedágio e estacionamento em 2021 foi 30,4% e 12,1% maior do que em 2020, passando de R$ 69,77 para R$ 90,96; e R$ 33,78 para R$ 37,86, respectivamente.

O aumento do valor dessas despesas em 2021 evidencia, novamente, um gasto 51,6% e 37,4%, respectivamente, maior para os deputados em detrimento das empresas particulares. Outra categoria que representa bem essa discrepância são os serviços postais, onde os executivos do setor privado também tiveram gastos 52,7% menores do que os deputados estaduais e federais.

È prescrito em lei que os deputados recebam uma quantia mensal, além do salário, que gira em torno de R$ 33,7 mil para cobrir custos administrativos. Essa cota, chamada de Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), gira em torno de R$ 21 mil e R$ 44,2 mil por mês para cada deputado.

Comparativo dos gastos parlamentares entre janeiro a maio de 2020 e 2021, o gasto médio com combustíveis e lubrificantes passou de R$ 269,50 para R$ 271,53, registrando um aumento de 0,8%; o gasto médio com fornecimento de alimentação passou de R$ 69,77 para R$ 90,96, registrando um aumento de 30,4%; o gasto médio com hospedagem passou de R$ 278,36 para R$ 282,37, registrando um aumento de 1,4%; o gasto médio com locação ou fretamento de veículos automotores passou de R$ 4.388,63 para R$ 4.461,36, registrando um aumento de 1,7%; o gasto médio com passagem aérea na modalidade reembolso passou de R$ 1.093,71 para R$ 1.349,17, registrando um aumento de 23,4%; o gasto médio com passagens terrestres, marítimas ou fluviais passou de R$ 111,57 para R$ 92,02, registrando uma queda de 17,5%; o gasto médio com serviço de táxi, pedágio e estacionamento passou de R$ 33,78 para R$ 37,86, registrando um aumento de 12,1%; o gasto médio com serviços postais passou de R$ 183,60 para R$ 165,59, registrando uma queda de 9,8%; e o gasto médio com telefonia passou de R$ 231,22 para R$ 226,15, registrando uma queda de 2,2%.

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