Derrama fiscal em Campos

Por Ranulfo Vidigal.

“Os humanos reclamam muitos da força dos rios, mas não observam a opressão que as margens lhes fazem.” “Somente os pequenos segredos precisam ser guardados, enquanto os grandes são guardados pela incredulidade do povo.” Estas frases do pensador Marshall McLuhan se encaixam como uma luva ao tempo presente no Norte Fluminense.

Por exemplo, a economia do açúcar e dos royalties do petróleo de Campos dos Goitacazes – a oitava em produção de riqueza no Estado do Rio de Janeiro – continua em forte recessão. Aliás, a estimativa de quem acompanha seus números reais é de queda efetiva da atividade produtiva de 10,8%, nos 12 meses encerrados em abril último, notadamente pelo fraquíssimo desempenho do setor de serviços, que ainda não voltou a operar de fato. São 182 mil pessoas dependentes do Auxílio Emergencial, que mesmo pagando apenas R$ 250 reais injeta R$ 50 milhões mensais na cidade.

Mas, mesmo assim, a arrecadação fiscal do poder público municipal cresceu 17,4%, quando se compara janeiro/abril de 2021 em relação ao mesmo período em 2020. Um espanto!

Numa cidade que empobrece, ao mesmo tempo, o poder público municipal vê seus cofres engordarem e, mesmo assim, o caríssimo Legislativo da cidade (onde cada vereador custa R$ 100 mil por mês) insiste em colocar em prática um “pacote de maldades” que aumenta em 50% os impostos e as taxas.

No ano de 2020, auge da pandemia, a economia campista mostrou alta fragilidade frente outras duas importantes economias – Macaé e SJB/Porto do Açu. Dividindo toda a riqueza produzida pelo setor privado e trabalhadores formais pelo contingente total de empregados com registro (Caged), temos: SJB produz R$ 600 mil por trabalhador/ano, contra R$ 280 mil em Macaé (base da Petrobras) e apenas R$ 230 mil por trabalhador/ano na cidade de Campos. Outra clara evidência de perda de dinamismo da economia campista frente aos seus vizinhos. Portanto, mais uma evidência de que não cabe nessa conjuntura um choque de tributos e tarifas públicas.

A pergunta que não quer calar: afinal, qual é o projeto/planejamento de médio e longo prazo capaz de reverter esse quadro, que se desdobra em alta informalidade de um elevado contingente de famílias na indigência e pobreza extrema?

 

Ranulfo Vidigal é economista.

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