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segunda-feira, janeiro 18, 2021

Derrapagem

A coincidência entre o anúncio do déficit primário de R$ 925,2 milhões, em fevereiro, e a disposição do governo de ampliar para R$ 25 bilhões os cortes do Orçamento constituem emblemático retrato 3×4 da esquizofrenia do Governo Lula. Ao mesmo tempo, revela porque, embora o Brasil tenha as melhores condições objetivas para sair em melhores condições da crise, não aproveita esse potencial.
Se aproveita a redução, ainda extremamente tímida, da taxa básica de juros (Selic) para elevar os gastos não-financeiros e tentar reativar a economia, o mesmo governo, ao ampliar o desmanche do Orçamento em nome do dogmatismo fiscal, trava o país. Tais movimentos equivalem a acelerar e frear, ao mesmo tempo, o gigantesco carro chamado Brasil. No automobilismo, esse tipo de combinação resulta em derrapagem.

Bola fora
A audiência pública realizada na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para investigar suposta relação entre a construção da siderúrgica CSA – maior investimento em andamento no Brasil – e milícias teve impacto desastroso entre os alemães, principais investidores, avalia uma fonte que conhece bem o empreendimento. A participação da Alerj no caso ameaça futuros investimentos alemães, já que influencia no processo decisório, lamenta o observador.

Não dá pauta
Anda escasso o prestígio do presidente FH junto aos meios de comunicação tupiniquins. A notícia de que sua filha Luciana Cardoso é funcionária fantasma do gabinete do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), por exemplo, sequer mereceu chamada de primeira página dos nossos vigilantes jornalões. Matérias nos telejornais, então, nem pensar. E isso com um ex-presidente cuja popularidade nas redações sempre foi inversamente proporcional a seu prestígio popular.

O outro lado da História
Será um acontecimento político e social o lançamento do livro autobiográfico O outro lado da História, de Walter Baère, nesta quinta. Baère narra com riqueza de detalhes a intimidade de Vargas horas antes de sua morte e várias outras situações que testemunhou, como o golpe do general Lott e o sofrimento do presidente Costa e Silva. O autor, que completou recentemente 87 anos, gostou tanto do novo oficio de escritor que pretende escrever, junto a sua filha mais nova, novelas para TV. O lançamento será às 19h, no Bar do Zira, na Livraria Letras e Expressões, em Ipanema.

Demofobia
O ex-presidente Bill Clinton tem sido incluído, corretamente, nas listas dos pais da crise, mas pelos motivos errados. Clinton fez jus a essa condição ao permitir e estimular o afrouxamento dos controles sobre o mercado financeiro. No entanto, tem sido acusado por permitir que estadunidenses de baixa renda pudessem exercer o direito à compra da casa própria. Ora, apenas os demofóbicos mais empedernidos podem negar a qualquer pessoa esse direito que é uma das mais antigas aspirações da humanidade desde a época em que seus representantes habitavam em cavernas. A culpa de Clinton acha-se no fato, de em vez de taxar os setores mais opulentos dos Estados Unidos, para adotar políticas de distribuição de renda, optou por cevar os rentistas, ao mesmo tempo em que estendia, de forma sedutora e irresponsável, a oferta de crédito a estadunidenses sem qualquer possibilidade de pagar por isso. Deu no que deu.

Ovos e presunto
O ex-prefeito do Rio Cesar Maia, em seu Ex-blog, escreve indignado com um projeto de lei “importado de ONGs de SP, que efetiva a pior das privatizações: aquela em que o setor privado entra com a vontade e o setor público entra com o patrimônio, os servidores e os recursos. O projeto de lei número 2 de 2009 autoriza o Poder Executivo a transferir à s organizações sociais (OSs), ou seja, ONGs com outro nome, equipamentos municipais, servidores nestes equipamentos e recursos para funcionamento”, denuncia Cesar Maia.

Invisível
Pela segunda vez em pouco mais de um mês, os “jornalões” que sempre abriram amplo espaço para pseudo-estudos feitos pelos neoliberais incrustados no Ipea ignoraram solenemente o levantamento que comprova que o inchaço na máquina pública brasileiras, especialmente na era Lula, é um mito. Se os números contradizem a versão, ignorem-se os números, deve ser o lema dessa imprensa seletiva.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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