Derrapagem

A crise da Fiat, que parece se aproximar de seu estágio terminal, tem raízes menos remotas. Em 1979, a montadora italiana empregava 130 mil trabalhadores. Vinte e três anos depois o número de funcionários desabou para cerca de 30 mil, fruto da trágica média de cerca de 4 mil demissões por ano. Apesar dessa sangria no mercado de trabalho, a empresa continuou sendo contemplada por generosos subsídios estatais, dentro e fora da Itália, sem exigência de contrapartidas, como o desenvolvimento de políticas regionais e a geração de empregos. Sua participação no mercado, que chegou a atingir 12%, em setembro se restringia a 7,3%.

Modelo superado
Apesar do histórico da Fiat, que não é um caso isolado no setor automobilístico, ainda existem políticos, como José Serra, que defendem a política de subsídios bilionários para montadoras multinacionais. Com a saturação dos seus mercados de origem, empresas que deveriam oferecer vantagens compensatórias – como transferência tecnológica e geração de empregos – são agraciadas por vantagens inimagináveis para o empresariado local, como isenção de impostos, gastos milionários com infra-estrutura e doação de terrenos, sem exigência de contrapartidas claramente definidas.

Liberdade ameaçada
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) distribuiu ontem nota em que lamenta “a determinação judicial de que um oficial de justiça, acompanhado de um advogado a serviço da Coligação Frente Brasília Solidária, que apóia a reeleição do atual governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, exercendo as funções de censores, acompanhasse pessoalmente a elaboração da edição de ontem do jornal Correio Braziliense”. O objetivo da ação do oficial de justiça era garantir a obediência à determinação judicial que proibira a transcrição de fitas que poderiam comprometer o governador e candidato Joaquim Roriz. “A presença física do censor numa redação de jornal pertence a um passado não muito distante que nenhum democrata deseja ver renascido no país”, conclui a nota.

Sem-energia
Em pleno século XXI,  o Brasil tem de 4 a 5 milhões de domicílios, ou 20 milhões de pessoas, sem acesso a energia elétrica. Em todo o mundo, são 2 bilhões de pessoas. Para debater soluções para esses problemas, pesquisadores brasileiros e estrangeiros se reúnem, entre os próximos dias 29 e 31, no 4º Encontro de Energia no Meio Rural (Agrener 2002), no Centro de Convenções da Unicamp, em evento promovido pelo Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe).
Para o coordenador da Coordenadoria de Relações Internacionais (Cori) da Unicamp, professor Luís Augusto Barbosa Cortez, também organizador do evento, embora o Brasil tenha um número elevado de pessoas não atendidas, o consumo de energia é relativamente baixo se comparado com os padrões dos Estados Unidos e da Europa. No primeiro, por exemplo, o consumo é sete vezes maior que o brasileiro e, no segundo, quatro vezes.

Luz no fim do túnel
Cortez defende a importância da busca de fontes renováveis nacionais. “Vamos discutir uma nova configuração demográfica, a importância social do meio rural e criar condições para as pessoas realizarem seus objetivos e sonhos. Estamos discutindo a qualidade de vida das pessoas”, afirmou, acrescentando que o Brasil caminha rapidamente no atendimento a população e prevê que em dez ou 15 anos 97% dos domicílios terão energia elétrica.

Penta de ouro
Terá valor de face de R$ 20 mas custará R$ 540 para os colecionadores a moeda de ouro comemorativa ao pentacampeonato da seleção brasileira de futebol. Também será feita a de prata, com valor de face de R$ 5 e preço estimado de R$ 58.  As moedas serão lançadas até dezembro.

DAS
Aproveitando a medida provisória que cria 50 cargos especiais para o governo de transição, serão criados dois novos cargos para a assessoria dos ex-presidentes da República. Os cargos de DAS-5 terão o apetitoso salário de R$ 6,3 mil e se somarão a outros seis (entre assessores, seguranças e motoristas) à disposição dos ex-presidentes. A medida beneficiará não só presidente Fernando Henrique Cardoso, mas também os ex-presidentes José Sarney e Itamar Franco.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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