Derrota no relatório irrita Guedes

As mudanças na espinha dorsal do projeto levaram o ministro da Economia, Paulo Guedes, a fazer uma pessimista avaliação sobre a reforma da Previdência. Segundo ele, com as mudanças propostas no relatório da comissão especial da Câmara dos Deputados, os cortes esperados com a reforma caem de R$ 1,2 trilhão em dez anos para cerca de R$ 860 bilhões.

A conta pode ficar ainda menor. Deputados do Centrão falam em R$ 700 bilhões e economistas do mercado financeiro esperam menos do que R$ 600 bilhões, que há poucos meses era o piso das previsões. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou a sexta-feira em queda de 0,74%, e o dólar foi a R$ 3,899, alta de 1,16%, maior elevação diária em um mês.

“Houve um recuo que pode abortar a Nova Previdência. Pressões corporativas dos servidores do Legislativo forçaram o relator a abrir mão de R$ 30 bilhões para os servidores do Legislativo, que já são favorecidos. Recuaram na regra de transição. Como isso ia ficar feio, estenderam também para o regime geral. Isso custou R$ 100 bilhões”, disse Guedes, em entrevista depois de evento no Consulado da Itália.

O ministro insistiu que, do jeito que está o projeto, para evitar problemas no futuro, seria necessário fazer uma nova reforma daqui a cinco ou seis anos. Sobre o fim da capitalização, Guedes disse que achou redundante tirar a emenda. “Se fizer só R$ 860 bi, já é uma declaração do relator que as conversas estão indicando que não há desejo da Nova Previdência”, acrescentou.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) considerou desnecessário o comentário de Guedes no momento em que Congresso “assumiu a responsabilidade pela reforma da Previdência”. “Ele não está sendo justo com o Parlamento, que tem comandado sozinho a articulação para aprovação da reforma da Previdência”, enfatizou.

Deputados do Centrão, porém, criticam essa articulação. Pontos acertados com o relator, Samuel Moreira (PSDB-SP), teriam sido deixados de lado, o que deverá levar a alterações durante a votação do relatório. Entre o que havia sido acordado e não foi cumprido está a desconstitucionalização – o governo pretende retirar da Constituição itens da Previdência Social. Moreira manteve alguns, mas permitiu retirar outros.

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