Desacelera

Entre fevereiro e maio, a Petrobras reduziu em cerca de 30% as importações de gás da Bolívia. No primeiro mês, as compras daquele país somaram 11,6 milhões de metros cúbicos diários, recuando para 8 milhões de metros cúbicos diários, em maio. Essa queda revela que a cláusula do contrato sobre a utilização do gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) que prevê importações de 18 millhões de metros cúbicos diários a partir deste mês não será cumprida. Boa parte da queda se deve à desativação do programa brasileiro de termelétricas que, depois de várias promessas de investimentos do setor privado, virou um “mico” na mão da estatal, que acabou por reduzir drasticamente sua participação no programa.

Olho vivo
A queda da participação da Petrobras no mercado boliviano foi, parcialmente, suprida pela British Gas (BG). Entre fevereiro e maio, a BG elevou em 600% suas compras, que saltaram de 300 mil metros cúbicos de gás por diários para 2,1 milhões de metros cúbicos. Como o mercado boliviano é extremamente comprimido, é bom ficar de olho nos desdobramentos desse avanço da BG sobre o mercado brasileiro.

Sem chapéu
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo manteve multa – de R$ 53,2 mil – ao candidato ao governo do Estado pelo PPB, Paulo Maluf, por fazer propaganda eleitoral fora do prazo. Maluf foi condenado por aparecer no programa Raul Gil, da TV Record. O candidato participou, no dia 22 de abril, do quadro “Para quem você tira o chapéu”, que o TRE julgou como propaganda eleitoral. O apresentador Raul Gil e a rede Record também foram condenados a pagar multa no mesmo valor. Os advogados de Maluf, do apresentador e da emissora estudam a apresentação de recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Experiência
Os que hoje acusam Ciro Gomes de querer confiscar a poupança deveriam puxar da memória e se lembrar que a mesma acusação foi feita, em 1999, contra Lula. O acusador foi Collor, que acabou ganhando a corrida presidencial. Uma vez no poder, “elle” confiscou o dinheiro de todos. Serra conhece bem a história e ainda pode pegar detalhes com o deputado Antonio Kandir, membro do seu comando de campanha, que era o presidente do Banco Central na época “collorida” e pilotou, junto com a então ministra Zélia Cardoso de Mello, o Plano Collor.

Internacional
Principal surpresa das eleições presidenciais da Bolívia, mostrando, mais uma vez, que as crenças em pesquisas eleitorais merecem tanto respeito quanto as dedicadas à existência de duendes amarelos, o candidato Movimento ao Socialismo (MAS), Evo Morales, teve seu desempenho comemorado pelo MST brasileiro. Integrante do movimento internacional Via Campesina, Morales, que também elegeu importante bancada de sete senadores e 23 deputados federais, é filiado à mesma organização que reúne o francês José Bové, condenado a três meses de prisão McDonald”s. O MST também enviou a Bové uma cesta com produtos brasileiros para protestar conta a prisão do líder francês.

Carga parada
O aumento das restrições ao tráfego de veículos de carga já está prejudicando a entrega de mercadorias aos supermercados e pode comprometer inclusive o abastecimento dos grandes centros urbanos do país, se nenhuma medida for tomada, reclama – com uma certa dose de alarmismo – o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de São Paulo (Setcesp). De fato, as principais ruas e avenidas paulistanas têm algum tipo de restrição ao tráfego de veículos pesados. Nas regiões centrais, a proibição atinge bairros inteiros. Para completar, há o rodízio municipal, que restringe a circulação de veículos de passeio ou de carga no chamado “centro expandido”. Reconhecendo que as medidas contribuem para melhorar o fluxo de veículos da cidade no curto prazo – mas reclamando que as restrições acabam gerando outros transtornos a médio e longo prazos – o Setcesp firmou parceria com a Associação ECR Brasil para detectar problemas e propor soluções. O primeiro passo é uma pesquisa entre distribuidores e grandes supermercados, para se chegar aos pontos críticos e estabelecer novas rotas e fluxos de distribuição.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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