Desafios e oportunidades do setor industrial brasileiro em 2026

Estudo da KPMG mostra tendências do setor industrial brasileiro em 2026 diante da NIB e das novas tecnologias.

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(Reforma tributária) trabalhador com capacete amarelo na industria com tablet
Trabalhador na indústria com tablet (foto de Miguel Ângelo, CNI)

O setor industrial brasileiro inicia 2026 em um contexto de transição, marcado pela implementação da Nova Indústria Brasil (NIB) e pela busca continua de redução do Custo Brasil. A combinação de políticas públicas, avanços tecnológicos e mudanças estruturais cria um ambiente de desafios, mas também de oportunidades relevantes para diversos segmentos, analisa a KPMG.

“Nesse contexto, setores como automotivo, papel e celulose, máquinas e equipamentos, metais processados, materiais de construção, vidro, além de aeroespacial e defesa, ganham centralidade nas discussões sobre competitividade, inovação e crescimento sustentável”, explica a empresa de consultoria.

Em síntese, 2026 representa um ponto de inflexão para os mercados industriais brasileiros, com oportunidades de crescimento em todos os segmentos, desde que superados os gargalos estruturais e aproveitados os incentivos das políticas públicas. O setor deve se manter atento às tendências globais e à necessidade de inovação contínua para consolidar sua posição no cenário internacional, recomenda a KPMG.

Mercados Industriais em 2026 – Principais segmentos e dinâmicas

Automotivo: O segmento automotivo está cauteloso com os reflexos dos juros e a reforma tributária no desempenho em 2026. A agenda de descarbonização e eletrificação, impulsionada pela NIB, deve acelerar investimentos em modernização de plantas e automação, consolidando o Brasil como polo relevante na produção de veículos mais eficientes. Destaque para a entrada das empresas chinesas no mercado nacional e o impacto no ecossistema.

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Papel e Celulose: O setor mantém trajetória de expansão, sustentado por recordes em produção e exportação. A demanda global por embalagens sustentáveis e papel tissue, aliada ao foco em eficiência energética e automação, reforça o potencial competitivo brasileiro, especialmente em cadeias bioindustriais.

Máquinas e Equipamentos Elétricos: Após anos de retração, o segmento entra em ciclo de renovação, com forte ênfase em Indústria 4.0, automação e digitalização. Programas de produtividade e descarbonização da NIB devem impulsionar a demanda interna por soluções inteligentes e sustentáveis.

Metais Processados: A valorização do alumínio reciclado e o crescimento da construção civil favorecem a recuperação gradual do setor. A sustentabilidade e a eficiência energética tornam-se fatores-chave para competitividade, especialmente diante da volatilidade dos preços internacionais.

Vidros: Apesar da queda no faturamento de vidros planos, há crescimento significativo em laminados e insulados, impulsionado por normas de segurança e eficiência energética. A automação e certificações ganham relevância, especialmente no mercado premium e de retrofit.

Materiais de Construção: O segmento acompanha o ciclo positivo da construção civil, com perspectivas de consolidação de um mercado interno forte em 2026. A demanda por soluções eficientes e sustentáveis deve crescer, impulsionada por programas habitacionais e obras de infraestrutura.

Aeroespacial e Defesa: A expansão seletiva, com maior conteúdo nacional em sistemas de alta tecnologia, é estimulada pela Missão 6 da NIB. O setor se beneficia da reorganização das cadeias globais e do fortalecimento de clusters industriais, apesar dos desafios de investimento público.

Oportunidades e tendências no setor industrial em 2026

Transformação digital e automação industrial: adoção de tecnologias 4.0, IoT, inteligência artificial e automação avançada são vetores de modernização e aumento de produtividade.

Investimentos em infraestrutura e construção: obras públicas e programas habitacionais ampliam a demanda por bens manufaturados e equipamentos industriais.

Transição energética e descarbonização: pressão por sustentabilidade e eficiência ambiental impulsiona a substituição de ativos produtivos e adoção de tecnologias limpas.

Internacionalização e reorganização de cadeias globais: mudanças geopolíticas abrem espaço para exportações brasileiras, especialmente em segmentos de alto valor agregado.

Políticas industriais estruturantes: a NIB mobiliza recursos significativos, ampliando incentivos para inovação, digitalização e conteúdo tecnológico.

Gargalos e desafios segundo a KPMG

Qualificação de mão de obra: deficiências técnicas para tecnologias avançadas limitam o potencial de crescimento.

Custo Brasil: logística, burocracia, tributação e insegurança jurídica elevam os custos de produção.

Volatilidade da demanda: sensibilidade a juros, desaceleração global e competição importada afetam segmentos como máquinas, metalurgia e vidro.

Financiamento e inovação: apesar das linhas de crédito, transformar intenção de investimento em projetos efetivos ainda é um desafio.

Contexto econômico e político do mercado interno, bem como das relações com os blocos econômicos

Alckmin, Lula, Esther Dweck e Rui Costa apresentam Nova Indústria Brasil (NIB)
Alckmin, Lula, Esther Dweck e Rui Costa no lançamento do Nova Indústria Brasil – NIB (foto de Ricardo Stuckert, PR)

Impacto das políticas governamentais no setor industrial em 2026

A Nova Indústria Brasil atua como catalisador, direcionando incentivos para digitalização, descarbonização, infraestrutura, saúde, agro e defesa. Programas públicos ampliam a demanda por suprimentos industriais e fortalecem clusters tecnológicos, promovendo a modernização produtiva e a competitividade nacional.

“Em abril de 2026, teremos um marco relevante para a indústria brasileira, o Brasil será o País Parceiro oficial da Hannover Messe 2026”, destaca a KPMG.

“Para a indústria brasileira é um marco estratégico, destacando-se como potência emergente em inovação, sustentabilidade e transformação digital. A feira potencializa a internacionalização de empresas nacionais, amplia conexões com players globais e atrai investimentos em setores-chave como automotivo, aeroespacial, energia e tecnologia.”

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