Desastres naturais, prevenção e mitigação

Afinal, os desastres naturais não são tão 'naturais' assim

44
Chuvas em Petrópolis (Foto: Tânia Rêgo/ABr)
Chuvas em Petrópolis (foto de Tânia Rêgo, ABr)

As altas temperaturas na maioria dos estados brasileiros concomitantes a tempestades, raios e enchentes nas regiões Sul e Sudeste e secas sem precedentes na região Norte do Brasil, a exemplo da vivenciada na Amazônia onde as pessoas hoje se encontram “ilhadas”, sem acesso a alimentos ou a água potável, faz crer que deu a “louca no clima”. Tais desastres naturais afetam a população brasileira como um todo, causando mortes, escassez de alimentos, água potável e luz, prejuízo na mobilidade urbana além de verdadeiro colapso nas safras agrícolas.

Esse é o cenário que vivenciamos em 2023 decorrente de uma variação climática do El Niño aliado às mudanças climáticas, não muito distante das inundações e deslizamentos verificados em 2008 em Santa Catarina e em 2010 e 2011 em Niterói e na Região Serrana do Rio de Janeiro, ou em 2021 quando a região Norte sofria com excesso das águas dos rios e a região Sul com a seca severa.

As várias ações para controle, prevenção e mitigação de desastres naturais no Brasil avançam lentamente com alertas e diminuição de mortes, mas ainda falta a expansão de conhecimentos e integração de ações a fim de que possamos entender que tais desastres não são tão naturais como parecem e dessa forma cobrar mais ações das diversas esferas do governo.

As cidades brasileiras continuam se expandindo sobre áreas de risco e, na área rural, a supressão de vegetação em matas ciliares e o desmatamento ilegal continuam ocorrendo. Também são frequentes queimadas em áreas particulares sem o devido manejo do fogo e a expansão da fronteira agropecuária com o abandono das áreas já utilizadas sem a devida recuperação. Sabe-se hoje que não mais adianta aos governos ações apenas para atenuarem as consequências dos desastres climáticos, mas atitudes no sentido de prevenção e mitigação.

Espaço Publicitáriocnseg
Queimada na Amazônia: desastres naturais?
Queimada na Amazônia (foto de Doug Morton/Nasa)

Assim, é essencial o aperfeiçoamento dos sistemas de alerta de eventos climáticos bem como preparar a população a fim de evitar e reduzir o número de vítimas bem como os prejuízos sociais e econômicos resultantes desses eventos. Apesar de certos avanços obtidos a partir do desastre ocorrido na região Serrana do Rio de Janeiro, ainda é preciso que o governo federal monitore de forma mais integrada os diversos fenômenos de natureza meteorológica, hidrológica, agronômica e geológica.

Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), criado por iniciativa do Governo Federal para implantar um avançado sistema de alertas e monitoramento além de promover o desenvolvimento científico na prevenção e mitigação dos desastres, apontam que comunidades mais vulneráveis sofrem mais com os desastres naturais.

O artigo 4ª da Declaração de Hyogo, resultado da Conferência Mundial de Redução de Desastres de 2005, assevera: “Afirmamos que os Estados tem a responsabilidade fundamental de proteger de toda ameaça aos povos e propriedades em seus territórios…”.

Não é natural que nos desastres não se saiba o que fazer, e ainda tenhamos que lidar com pessoas morrendo com sede, falta de alimentos ou desabrigadas. Não bastam sistemas de alertas vinculados a celulares cadastrados apenas em zonas de menor risco ou credenciados por meio do Código de Endereçamento Postal (CEP). A maioria da população pobre e que vive em áreas de risco não possui CEP.

Precisamos ver e ouvir dos entes federais, estaduais e municipais as medidas adotadas. Queremos conhecer quais os planos de ação, prevenção e controle de desmatamento para todos os biomas do Brasil e não apenas para a Amazônia anunciado em junho; precisamos ver a participação desses entes nos Comitês de Bacias Hidrográficas e a integração dos diversos entes para o aperfeiçoamento dos sistemas de monitoramento e alertas nas cidades.

Já estamos conscientes que os desastres não são tão “naturais”, que cada árvore derrubada na Amazônia ou em outros biomas do país importa em desequilíbrio climático em todas as regiões afetando a todos indistintamente, e que são necessárias formas e meios de enfrentamento mais eficientes.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui