Descompasso

Entre os efeitos colaterais do desenvolvimento da guerra contra o Afeganistão, a revelação do descolamento entre imprensa e leitores é um dos mais poderosos. “Jornalão” do Rio, depois de duas semanas mancheteando os atentados com antraz, resolveu saber como seus leitores absorveram sua obsessiva cruzada. Apesar de toda a tinta gasta, apenas 6,22% declararam ter muito medo ou achar que “estamos indefesos”; 34,37%, admitiram ter receio, mas não estarem em pânico.
No entanto, 32,44% declararam sua descrença de que o Brasil seja alvo dos terroristas e, finalmente – humilhação suprema – nada menos de 26,97% disseram nada dar a mínima importância ao principal assunto de se ocupara o jornal durante longos dia.
Ou seja, pelo menos 59,41% dos leitores ouvidos – noves fora parte dos 34,37% dos atentos, mas sem internalizar o pânico plantado – disseram que o “jornalão” deveria dedicar seu espaço e sua energia a assuntos mais relevantes.

Mercado
É verdade que a sucessão na Academia Brasileira de Letras (ABL) não implica transferência ideológica do substituto para o substituto, mas, se desejar manter alguma identidade com o antigo ocupante da cadeira a que pretende substituir, Paulo Coelho terá argumentos fortes para sustentar sua pretensão de suceder Roberto Campos. Afinal, os números sobre as vendas de seus livros comprovam: a exemplo de Bob Field, Coelho também é o preferido do mercado.

Expansão
Segundo dados da ACNielsen, o mercado de bebidas não-alcoólicas (água, sucos, isotônicos e chás gelados) registrou crescimento de 6,3% no período de junho de 2000 até junho deste ano. O Lipton Ice Tea, líder do mercado de chás gelados, ganhou 2,9 pontos percentuais do mercado, saindo de 39,4% para 42,3%.

Com outros olhos
Carro-chefe da economia desde o início do Real, o setor de serviços tem passado por profundas mudanças em sua dinâmica. Depois do incremento da presença nas ruas de camelôs e motoristas de vans, um setor secular vê sua atividades, digamos, murchar. Localizada numa rua próxima à Universidade Santa Úrsula, a Termas 66 não resistiu ao refluxo do poder aquisitivo do seu principal público-alvo e fechou as portas. Em seu lugar, foi aberta uma ótica.

Carnaval
A tentativa de uma parte dos meios de comunicação – aquela parte que tem a cabeça (e alguns o bolso) voltada para o Norte – em impingir a festa do Halloween na cultura brasileira esbarrou na criatividade carioca. A máscara mais vendida – apesar das parcas vendas para a data – está sendo a do inimigo número um da pátria do Dia das Bruxas. Osama bin Laden, em versões luxo ou popular, vai dar o ar de sua graça nos salões, para desgosto daqueles que insistem em aplaudir a “cultura” e os “valores” dos Estados Unidos.

Caxias
O coronel Cláudio Moreira Bento contesta informações publicadas recentemente que acusam o Duque de Caxias de ser precursor na “guerra bacteriológica”. Caxias teria ordenado na Guerra do Paraguai que se lançasse no Rio Paraguai cadáveres de soldados coléricos para atingir os adversários. Segundo Moreira Bento, a acusação foi feita por um livro em que o autor baseou-se em suposto documento existente em Buenos Aires. Ainda segundo o coronel, o general Jonas Correia, presidente do Instituto Histórico Geográfico Militar do Brasil (IHGMB) foi ao Museu Mitre, na Argentina, e encontrou apenas  um panfleto político circunstancial e não um documento oficial.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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