Desconfiança

“Os bancos centrais estão travando a guerra errada e, talvez, se arriscando a um erro político de proporções históricas”, analisa o editor de economia internacional do Daily Telegraph, Ambrose Evans-Pritchard. Em coluna reproduzida pelo boletim eletrônico Resenha Estratégica, o jornalista explica que “os emprestadores (bancos) estão guardando o dinheiro, evitando os seus pares como se eles fossem leprosos dos mercados subprime.” Ou seja, os bancos recebem o dinheiro dos bancos centrais e não o repassam, interrompendo toda a bolha em cadeia de instrumentos especulativos que depende de um fluxo constante de recursos para não desinflar ou estourar.

Na muda
As Operações Kaspar I e II, da Polícia Federal, que resultaram nas prisões de executivos de grandes bancos estrangeiros acusados de lavagem de dinheiro de nacionais, continua a causar efeitos colaterais. Empresários brasileiros receberam, recentemente, telefonemas de um executivo alemão especializado nesse, digamos, tipo de engenharia financeira, informando que ficaria “pelo menos seis meses sem ir ao Brasil”. A cautela tem bons motivos. Na sua última vinda ao país, o alemão teve o laptop apreendido pela Polícia Federal, que, no entanto, naquela ocasião, não encontrou indícios de ilegalidade que justificassem sua prisão.

Extracampo
Em tempo: é geométrico o crescimento do movimento de lavagem de dinheiro que tem como origem o milionário mundo do futebol.

Termo aditivo
O deputado estadual Paulo Ramos, líder do PDT na Assembléia Legislativa, entrará, nesta quarta, com um pedido de investigação no Ministério Público Estadual (MPE) do Rio de Janeiro. A ação visa a que o órgão investigue a legalidade do decreto do governador Sérgio Cabral, que assinou um termo aditivo com a Oportrans, prorrogando por mais 20 anos a concessão do Metrô do Rio. O pedetista adiantou que, no primeiro dia após o recesso parlamentar, também irá entrar com um projeto legislativo para que o plenário da Casa derrube o decreto.

O dobro ou nada
O parlamentar considera uma violação de direito o governo assinar um outro termo aditivo por mais 20 anos, com o primeiro contrato ainda pela metade. “Como é que o governo prorroga uma concessão sem que a primeira tenha terminado? Além disso, renova com uma concessionária que não paga nada ao estado, sem efetuar nenhuma ma avaliação de eficiência dos serviços prestados”, comentou, acrescentando que a atitude também fere as licitações, uma vez que impediria a participação de outras empresas no processo de concessão.

Concessões
Um acidente às 7h30 desta segunda-feira entre quatro ônibus e dois carros paralisou a Ponte Rio-Niterói. Cinco horas após a colisão, dois ônibus continuavam na pista, sentido Rio, e o engarrafamento se prolongava por mais de 30 quilômetros.

Dinâmica histórica
Se fosse congelado o olhar da Coroa portuguesa do século XVIII, Tiradentes, até hoje, seria considerado um traidor e um dos maiores terroristas da história oficial. No entanto, como venceu a República, o ex-alferes virou símbolo da luta pela libertação nacional e patrono da Polícia Militar. Essas reviravoltas da história, que tornam tênue a linha que separa a classificação de “terrorista” de “insurgente”, deveriam ser consideradas por órgão de comunicação que pretendem substituir os critérios utilizados pela ONU ao tratar do assunto. No mínimo, para, ao adotarem acriticamente os critérios definidos pelo Governo dos Estados Unidos, não serem obrigados, pelo mesmo modelo, a classificar a administração Bush de terrorismo de Estado.

Outdoor
Há dois anos o Governo Federal anunciou obras da nova sede do Instituto de Traumato-ortopedia (Into), no prédio onde funcionava o JB, no Rio. Os gigantescos cartazes com a novidade, que envolviam o edifício, ficaram velhos e rasgaram, sem que nem ao menos um saco de cimento fosse comprado para o local. Mas o Ministério da Saúde foi ágil: renovou a promessa – fala em começo das obras neste semestre – e trocou os cartazes – que estão tinindo de novos.

Marcos de Oliveira e Sérgio Souto

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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