Desempenho da Bolsa com Lula é melhor que com Bolsonaro

Primeiros anos de governos costumam ser os melhores.

Por Gilmara Santos, especial para o Monitor

 

Ano de eleições majoritárias costuma trazer um componente a mais de incertezas ao mercado. A polarização política que se intensificou nos últimos anos traz ainda mais preocupação ao mercado e acende a luz amarela para os investidores. Como a terceira via não emplacou, por enquanto, a disputa está concentrada entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Rendimento passado não é certeza de retorno futuro, enfatizam especialistas, mas avaliar como foi o desempenho do principal índice da B3 (Bolsa de Valores do Brasil), o Ibovespa, nos últimos governos pode ajudar a entender como será o comportamento do mercado nos próximos anos.

Levantamento realizado por Filipe Ferreira, da Comdinheiro, mostra que durante os dois mandatos do petista – entre 2003 e 2010 – o Ibovespa acumulou alta média de 32,7%. Os dados mostram que entre 2019 e 2021, nos três anos do Governo Bolsonaro, o indicador apresentou média muito inferior: 7,5%. Durante o mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (de 2011 a 2015), o índice contabilizou, em média, -8,48%, e no governo do ex-presidente Michel Temer (2016 e 2018), atingiu 26,9%.

Ferreira destaca que os dados precisam ser vistos de maneira consolidada. “Olha o período Lula, e tem retorno médio de 32%, mas isso significa que foi o melhor presidente para a Bolsa? Muita calma. Se a gente pega o primeiro ano, que foi 2003, foi o maior aumento, de 97%, mas a gente vinha desde o começo de 2000 com várias restrições ao mercado global, crises, 11 de Setembro e incertezas com o governo seguinte. Isso puxa o retorno para baixo”, diz.

Ele destaca que os primeiros anos de todos os governos costumam ser bons, exceção do Governo Dilma porque parte dos ganhos foram antecipados. “Com o Temer já tem uma taxa de recuperação interessante, com muitas coisas voltando ao lugar. Teve um desequilíbrio na primeira metade da década de 2010 e na segunda metade se reequacionando”, diz.

Segundo o Ferreira, o Governo Bolsonaro veio com uma taxa baixa, muita contida pela pandemia. “Os números parecem discrepantes, mas não são tanto assim porque tem um choque de liquidez no meio do último mandato, que é o avesso do que aconteceu entre 2002 e 2010, em que já tinha enxugado a economia.”

Para ele, a política expansionista do Lula para dentro do período refletiu de forma positiva e é menos vigorosa do que na política mais austera do Guedes. “Mas esse aquecimento não foi necessariamente benéfico no longo prazo. Considerando o composto de 12 anos, entrando no primeiro Dilma, a média fica mais contida. Se pega média dos governos Lula e Dilma, é maior que a do Bolsornaro, mas menor do que o Governo Temer, por exemplo”, diz ao afirmar que é necessário levar em consideração a contaminação de ciclo econômicos.

 

Educação e construtoras devem se beneficiar com petista

O estudo da Comdinheiro analisou ainda o desempenho de alguns papéis nos quatro últimos governos. No caso da Petrobras, o melhor retorno ocorreu durante do Governo Temer, acumulando alta média de 59%, seguido pelo Lula (36,6%), Bolsonaro (18,2%) e Dilma (-20,9%).

Considerando as ações dos bancos, Itaú apresentou retorno médio de 38% com o Temer, 34,2% com Lula, e 2% com Dilma. Já com Bolsonaro, as ações tiveram queda de 5%. Os papéis do Bradesco tiveram melhor desempenho com o Temer, seguido por Lula e Dilma, com altas médias de 45,6%, 38,7% e 0,94%, respectivamente. Com Bolsonaro, perderam 5%. As ações do Banco do Brasil subiram 56,2% durante o mandato do Temer e 54,2% com Lula. Com Bolsonaro e Dilma, caíram 7,9% e 5%, respectivamente.

“Os dois principais candidatos já são conhecidos”, enfatiza Bruno Madruga, sócio e head de renda variável da Monte Bravo Investimentos, ao comentar que, historicamente, governo de centro-esquerda tem uma política econômica de facilitar o acesso ao crédito e de programas sociais mais fortes no sentido de que o Governo Federal tem que ser o provedor do bem-estar do cidadão.

“O passado nos mostra que muita coisa foi desenvolvida vinculada a programas sociais. Temos ideia de que no mercado financeiro é possível que volte programa social para educação e haja mais intensidade para programas sociais habitacionais. Com isso, construtoras vinculadas a isso tenha desempenho mais positivo. Dois segmentos que no passado tiveram programas e desempenho no mercado mais positivo”, avalia.

“Com a reeleição de Bolsonaro, o mercado deve ser mais o provedor, se mantida a equipe econômica, um pouco mais na questão de privatizações. Pode ser um cenário bastante positivo. Já vimos isso neste governo. Mas as últimas atitudes deixam muito parecidas o ramo de atuação com o primeiro governo do ex-presidente Lula com Bolsonaro”, avalia Madruga.

Para Rui Rocha, sócio-sênior da Partner Consulting, o mercado reage muito mal quando está inseguro. “E durante os governos Lula e Bolsonaro tivemos isso todo o tempo, o que levou a uma grande oscilação do mercado”, destaca Rocha. “Ambos precisam melhorar muito para termos um país melhor, e não é bem certo que teremos isso e se reflete nos mercados, taxa de juros, inflação, política econômica e sociais. O mercado, com ambos, vamos ter trancos e barrancos por serem populistas”, afirma.

A valorização das commodities pode ser positiva para o Brasil. “O que a gente vê é que o Brasil, possivelmente a partir do ano que vem e dentro do que apresenta o mercado global, pode surfar em uma onda de boom das commodities, com elas se valorizando no mercado internacional e trazendo cenário inflacionário não por demanda, mas por choque de oferta; isso vai afetar o próximo governo”, considera Bruno Madruga.

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