Desemprego deve gerar aumento da informalidade e MEIs em 2022

Informalidade já atinge 24,8 milhões de pessoas; taxa de desemprego chegou a 13,2% no país, no trimestre terminado em agosto.

Projeção da equipe do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra uma lenta queda da taxa de desemprego em 2022, com uma desaceleração da retomada econômica de 4,9% este ano para 1,5% no próximo. O cenário preocupante de desemprego deve trazer ainda mais pessoas para o trabalho informal, como opção para conseguirem pagar suas contas.

Estudo da consultoria Idados, baseado na Pnad Contínua do IBGE, mostra que, entre o segundo semestre de 2019 e o mesmo período deste ano, o número de brasileiros sem carteira assinada ou vínculo formal aumentou em 700 mil e atingiu 24,8 milhões de pessoas. Quase 14 milhões deles recebem até um salário-mínimo, um aumento de 2,1 milhões de trabalhadores nessas condições no mesmo período.

De acordo com o levantamento, a modalidade que ganhará um foco maior como opção para os trabalhadores saírem da informalidade, terem os seus direitos garantidos e se legalizarem no mercado, será o Microempreendedor Individual (MEI), por oferecer baixo custo mensal de tributos e valores fixos. Só este ano houve um crescimento de quase 2 milhões de MEIs cadastrados no Brasil, segundo a Receita Federal, com cerca de 11 milhões em janeiro e mais de 13 milhões em dezembro de 2021, batendo o recorde de abertura de novos negócios no país.

O que também trará mais adesão à modalidade é a nova mudança implementada para 2022, onde de acordo com o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2021, o teto máximo de faturamento pode sair de R$ 81 mil para mais de R$ 130 mi e permitirá a contratação de dois colaboradores. Deste modo, cada microempreendedor individual poderá receber na faixa de R$ 10,8 mil por mês.

Além disso, com a pandemia e a crise econômica, 17% das pequenas e médias empresas planejam diminuir a contratação de novos funcionários nos próximos meses. É o que revela estudo realizado pela Intrum Brasil. O relatório, que tem como objetivo entender o comportamento de pagamento e o impacto na perspectiva de negócios das corporações, é publicado anualmente desde 1998 e esta é a primeira edição que inclui dados específicos do Brasil.

De acordo com o estudo, as PMEs são responsáveis por 70% da força de trabalho do país, o que gera destaque para quase 20% a menos de contratações. Enquanto isso, a taxa de desemprego chegou a 13,2%, o que impactou 13,7 milhões de brasileiros. A taxa é a mais baixa desde o trimestre encerrado em maio de 2020, início da pandemia. Mesmo com a recuperação, a informalidade aumentou e a renda do brasileiro teve uma queda significativa. Foi uma redução de 4,3% em três meses e de 10,2% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Com isso, o rendimento médio real do trabalhador chegou a R$ 2.489 no trimestre encerrado em agosto, as maiores quedas percentuais desde a série histórica iniciada em 2012. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), realizada pelo IBGE.

O estudo da Intrum Brasil ainda revela que no país, 76% das empresas brasileiras acreditam que uma recessão econômica é iminente. Dessas, 88% antecipam que ela terá algum impacto negativo no negócio, proporção que aumenta entre as empresas do setor de consumo (95%) e imobiliário e construção civil (93%). Além da diminuição das contratações, as principais medidas que serão adotadas pelas empresas para se protegerem da recessão será cortar custos (32%), ter cautela na hora de contrair dívidas (25%) e garantir o pagamento mais rápido dos seus clientes (19%).

O relatório foi baseado em uma pesquisa realizada simultaneamente em 29 países entre 26 de janeiro e 16 de abril de 2021. No total, foram entrevistadas 11.187 empresas de 11 setores diferentes. No Brasil, 700 companhias participaram do estudo, sendo 521 pequenas e médias empresas e 179 grandes empresas.

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