Inadimplência: desemprego e compras a crédito são as maiores causas

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Aldo Gonçalves (Foto: Arthur S. Pereira/CDL-Rio/Sindilojas-Rio)
Aldo Gonçalves (foto de Arthur S. Pereira/CDL-Rio/Sindilojas-Rio)

O desemprego ainda é a principal causa da inadimplência no comércio carioca, somando 48%, seguido pelas compras com cartão de crédito (30%), contas de agua, luz, gás, celular (12%), queda de renda (6%), descontrole nos gastos (3%) e outros (1%).

As conclusões estão na pesquisa Perfil do Inadimplente do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL-Rio), que ouviu 350 consumidores que procuraram o Serviço Central de Proteção ao Crédito da entidade para regularizar o nome. Dos entrevistados, 51,4% são mulheres; 22,2% trabalhavam no comércio; 36,1% têm entre 21 e 40 anos; 44,4% têm renda familiar entre R$ 450 e R$ 2,1 mil; 72,2% tiveram o nome incluído no cadastro por dívida junto ao comércio, 58,3% pela compra de roupas e calçados, 27,8% pretendem quitar o débito usando recursos do próprio salário, 41,7% estão otimistas em relação à melhoria da sua situação financeira em 2023 e 33,3% pretendem fazer novas compras assim que quitarem seus débitos.

Segundo o presidente do CDL-Rio, Aldo Gonçalves, o comércio é o setor que mais sofre, principalmente as lojas que vendem com prazos mais longos.

“O desemprego continua sendo apontado como a principal causa da inadimplência pelos entrevistados. A novidade é que mais de 40% acreditam na melhoria da condição financeira neste ano e que pretendem fazer novas compras”, diz.

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Roupas e calçados (51,4%) e os eletrodomésticos (28,6%), são os principais produtos comprados, seguidos por móveis (24,3%). O salário, com corte de gastos, vai ser usado por 62,9% dos entrevistados para pagar os débitos, sendo que 11% pretendem utilizar a poupança. Entre os pesquisados, 45,7% pretendem fazer novas compras a prazo nos próximos meses, 37,1% não pretendem e 15,7% não sabem.

Para Rafael Perez, economista da Suno, no Brasil, as vendas do comércio varejista caíram 2,6% em dezembro de 2022, na série com ajustes sazonais, acima do esperado. Essa é a segunda queda consecutiva do setor. Com isso, encerrou 2022 com uma leve alta de 1,0%, menor resultado desde 2016.

“Um dos principais responsáveis pela expansão do varejo em 2022 foi o setor de combustíveis e lubrificantes, que acumulou alta de 16,6% no ano e 27,8% no segundo semestre de 2022, período marcado pela queda nos preços internacionais do petróleo e as desonerações dos combustíveis. O resultado de 2022 também pode ser entendido à luz da melhora no mercado de trabalho e do Auxílio Brasil. E o segmento de mercados de hipermercados – de maior peso na pesquisa – foi um dos principais beneficiados dessa melhora no consumo.”

Segundo ele, a tendência de queda no setor observada nos últimos meses é um sinal de que a taxa de juros já começa a influenciar o setor, além do aumento do endividamento e inadimplência das famílias, o que vem diminuindo o ímpeto pelo consumo.

“Por isso, dado o cenário doméstico ainda desafiador, acreditamos que nos próximos meses deve se manter essa tendência de desaceleração do segmento de varejo.”

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