Desemprego

Estudo feito pelo banco Credit Suisse First Boston (CSFB) se propõe a ser um guia para as eleições brasileiras deste ano. Distribuído a clientes em todo mundo, a análise traz, junto com informações banais sobre currículo dos presidenciáveis e dados sobre número de eleitores etc., uma curiosa correlação entre a (falta de) popularidade do presidente FH e o índice de desemprego. Quanto mais cresce o desemprego, maior a avaliação negativa de FH nas pesquisas. A taxa oficial de janeiro, divulgada terça-feira pelo IBGE, ficou em 6,8%, contra 5,7% no mesmo mês de 2001. Assim, aumentam as probabilidades do candidato governista – seja ele José Serra ou outro – ficar “desempregado” após outubro.

Do coração
O Credit Suisse First Boston se propõe a classificar os candidatos de acordo com suas opiniões a respeito de fatos econômicos, com notas que vão de 0 (totalmente contrário) a 10 (extremamente comprometido). Lula, claro, fica com a menor média, com nota mais baixa (1) em privatização. Na média, o pré-candidato do PT fica com 3,1. Muito próximo, o governador Itamar Franco leva 3,2, seguido por Garotinho (3,3) e Ciro (5). O governista José Serra tem média, na avaliação do CSFB, inferior ao de Roseana Sarney (6,7 contra 7 da governadora do Maranhão e pré-candidata pelo PFL). O governador do Ceará, Tasso Jereissati, ainda aparece na avaliação, com nota 7,1. Mas o candidato preferido do banco – a princípio impedido de se candidatar – é FH, que mereceu média de 7,8, com expressivo 9 em “acordos com FMI”.

Pato manco
A decisão do Banco Central de voltar a operar no mercado futuro – do qual estava afastado desde o mega prejuízo causado na desvalorização do real, em janeiro de 1999 – para oferecer contratos de swap (troca de índices) nos leilões de renovação dos papéis corrigidos pela variação do dólar foi encarada por operadores do mercado financeiro como uma confissão de receio de nova disparada da moeda norte-americana. Operadores ouvidos pela coluna afirmam que a excessiva exposição externa deixa o país vulnerável a qualquer fato que repercuta no câmbio.
Ao oferecer a possibilidade de troca de títulos corrigidos pela variação do dólar por papéis indexados à flutuação dos juros (CDIs), o BC tentaria brecar nova corrida para o dólar. Além da busca de hedge (defesa), a fuga para a moeda norte-americana guarda forte caráter especulativo. Movido a boatos, o mercado financeiro alega que, apesar de quase residual, a queda de 0,25 ponto na taxa básica de juros (Selic) sinalizaria tendência de queda, fortalecendo o movimento de manada para o dólar, que favoreceria especuladores montados na moeda norte-americana. A fragilidade das contas externas do país forneceria o combustível real à ação dos especuladores.

Estrago
Dados preliminares do Departamento de Estudos de Mercado da Superintendência de Planejamento de Furnas indicam que o consumo de energia caiu cerca de 9%, ano passado, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Nas residências, a queda foi de 14% na comparação com o total consumido em 2000, contra recuou de 7% e 8%, respectivamente, na indústria e no setor serviços. A empresa espera que, este ano, o consumo de energia elétrica volte aos patamares de 2000. A ser verdadeira a avaliação, a economia de consumo feita pela população foi mero fruto da ameaça de sobretaxas e cortes.

Meia bomba
Dados sobre a produção de alumínio dão uma pequena amostra dos efeitos danosos do racionamento sobre a economia do país. Na Região Norte, na qual o racionamento acabou em 1º de janeiro, a produção de alumínio, no primeiro mês do ano, saltou para 97,7 mil toneladas, contra 87,2 mil toneladas, em dezembro de 2001, um crescimento de 12,0%. Apesar do avanço, se comparada a janeiro do ano passado, quando foram produzidas 107,9 mil toneladas, houve retração de 9,5%, o que o setor atribui aos efeitos da manutenção do racionamento nas regiões Sudeste e Nordeste. Em janeiro, a retomada da produção se restringiu, basicamente, às empresas de alumínio primário que atuam na região Norte: Albras (Pará) e Alcoa e Billiton (Maranhão).

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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