

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), assinou o Acordo de Cooperação Técnica que visa o desenvolvimento do setor agropecuário por meio do mercado de capitais. Atualmente, parte relevante dos recursos financeiros destinados ao agro já provém de operações realizadas no marcado de títulos e valores mobiliários, sendo considerada a parceria estratégica para o setor agropecuário. Este acordo tem duração de 2 anos e pode ser prorrogado mediante celebração de aditivo.
A coordenação do convênio ficará a cargo da Secretaria de Política Agrícola, apoiada pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário (DEFIN/SPA/MAPA) e da Superintendência de Securitização e Agronegócio (SSE) da CVM.
O convênio visa o compartilhamento de conhecimento técnico, o aperfeiçoamento de diagnósticos e análises, bem como a formulação e disseminação de ações de promoção do acesso ao financiamento de atividades agropecuárias por meio do mercado de capitais. A atividade agropecuária inclui a produção, o processamento e a comercialização dos produtos, subprodutos e derivados, serviços e insumos agrícolas, pecuários, pesqueiros e florestais. O Brasil é um grande exportador de commodities como soja, café, milho e carne.
Até meados de 2025 o estoque de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) superou os R$ 140 bilhões, enquanto o de Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais (Fiagros) ultrapassou os R$ 40 bilhões. O agronegócio representa só 3,5% do mercado de capitais, o que é considerado pouco. O setor representa 25% do Produto Interno Bruto (PIB).
“O agro tem operações de renda fixa com prazos relativamente curtos, prazos de safra, e isso atrai aquele investidor que quer testar, entender como essa dinâmica [do mercado brasileiro] funciona”, explicou. Outro ponto a favor é o câmbio, já que o setor é um grande exportador”, disse Flavia Palacios, diretora da Anbima e coordenadora da Comissão de Securitização da associação, em um evento recente.
Ela acrescentou que o agro no Brasil já tem um hedge natural ao dólar, já é naturalmente dolarizado, então isso tira o risco operacional e facilita essa operação. “A crescente demanda mundial por títulos sustentáveis representa mais uma vantagem competitiva, na sua avaliação, já que essa oferta, globalmente falando, não é tão grande quanto o potencial que a gente tem no agro do Brasil”.
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