Desenvolvimento econômico e comercial China-AL: necessidade histórica

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Porto de Itajaí (foto Porto de Itajaí)

“A história se constitui de um processo contínuo de interação entre o historiador e seus fatos, um diálogo interminável entre o presente e o passado.” Este é Zhang Kun, professor da Universidade de Xangai e pesquisador do Centro de Estudos Latino-Americanos, em uma série de palestras nos “Ciclos de conferência China-América Latina”, citando a frase famosa do livro O que é História?, de Edward Hallett Carr, historiador britânico, que apontou a história como a base do conhecimento que ajuda as pessoas a entenderem melhor o presente.

Na “Série de Palestras China-América Latina”, Ignacio Villagrán, presidente da Associação Latino-Americana de Estudos Chineses (ALAECh) e diretor do Centro de Estúdios de Argentina-China (CEACh) da Universidade de Buenos Aires, e Zhang Kun, palestrante da Universidade de Xangai e pesquisador do Centro de Estudos Latino-Americanos, fizeram recentemente uma breve introdução à história chinesa e à história latino-americana, respectivamente. Uma história da “economia orientada para o exterior” foi um dos principais pontos de discussão entre os dois estudiosos.

“Ciclos de Conferência China-América Latina” é uma série de palestras organizadas conjuntamente pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos da Academia Chinesa de Ciências Sociais e instituições de pesquisa de vários países da América Latina, nas quais estudiosos chineses apresentam seus resultados de pesquisas sobre a América Latina, enquanto estudiosos latino-americanos mostram os frutos das pesquisas sobre a China, a fim de compartilhar informações e melhorar a compreensão mútua. A série de palestras será transmitida ao vivo para o mundo até 26 de novembro de 2021 através do site CNKI.

Em sua palestra sobre “O Desenvolvimento do Sistema Político do Império Chinês”, o estudioso argentino Ignacio Villagrán apresentou a história da China desde 451 a.C. aos Três Reinos, com foco nas dinastias Qin e Han.

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Falando da Dinastia Han, Villagrán referiu-se à Rota da Seda, observando que ela não era apenas a principal rota de comércio e transporte, mas também teve um profundo impacto no intercâmbio cultural entre a China e o exterior. Usando as palavras de Wang Shuanghuai, professor da Universidade Normal de Shaanxi na China, “após a abertura da Rota da Seda, embaixadores de ambos os lados foram mandados para viajar entre eles e se comunicaram em nível governamental, e comerciantes estrangeiros trouxeram coisas exóticas como camelos, uvas, romãs e gergelim, bem como seus elementos culturais e costumes, o que enriqueceu a vida do povo da Dinastia Han, não apenas em nível material, mas também de uma perspectiva cultural”.

O acadêmico chinês Zhang Kun, em sua palestra “A História da América Latina”, apresentou a história dela, incluindo as características mais salientes de suas etnias, economia e política, e os desafios que enfrentou, por meio de imagens vívidas e traçando eventos históricos importantes.

Com relação à histórica economia de exportação da América Latina, Zhang Kun disse que as condições naturais superiores são uma vantagem inerente da riqueza dos produtos latino-americanos, com mais de 400 variedades de batatas somente na região dos Andes.

Durante o período colonial, a exportação de produtos primários latino-americanos era apenas para atender às necessidades dos países suseranos; após a Independência, muitos países latino-americanos acumularam alguma riqueza por causa das exportações, para seu próprio desenvolvimento, como a construção do primeiro metrô na Argentina, a linha Buenos Aires A, construído em 1913, o primeiro metrô na América do Sul, que já funciona há 100 anos.

As relações econômicas e comerciais China-América Latina são parte inevitável do desenvolvimento histórico. Hoje, a antiga Rota da Seda foi revitalizada de um jeito criativo, e a iniciativa “Cinturão e Rota” proposta pela China, tem recebido ampla atenção. Em 30 de janeiro de 2021, a China assinou 205 documentos de cooperação com 171 países e organizações internacionais, na América Latina, incluindo Chile, Bolívia, Uruguai, Venezuela, Equador, Peru, Costa Rica, Panamá, El Salvador, Dominica e Cuba e entre outros.

E cerejas, carne bovina e petróleo … ainda são as “palavras-chave” latino-americanas mais conhecidas para os chineses

Recentemente, dados da Associação de Exportadores do Chile (Asoex) mostram que, embora a safra 2020-2021 seja a safra de exportação mais complexa enfrentada pela indústria chilena de cereja nos últimos 10 anos, o volume de exportação de cerejas ainda aumentou 54,3% em comparação com o ano passado. A China é o seu principal mercado de exportação, com um volume de exportação de mais de 320.000 toneladas.

De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), o Brasil exportou 563.651 toneladas de carne bovina no primeiro quadrimestre de 2021, um aumento de 3% em relação ao ano anterior. A China ainda é o maior comprador da carne bovina brasileira, com um volume de importação de mais de 330 mil toneladas e um valor de importação de US$ 1,479 bilhão, ambas superiores às do mesmo período do ano passado.

No Peru, as exportações agrícolas não tradicionais bateram recorde em 2020, crescendo mais de 8% em relação ao ano anterior. O Peru consolidou sua posição como o primeiro exportador de mirtilos e quinoa, o segundo maior exportador de cítricos, espargos frescos, abacates e castanha-do-pará, e também ficou entre os dez maiores exportadores mundiais de gengibre, manga, amêndoas de cacau e azeitonas em lata.

Os números oficiais mostram que a economia e o comércio China-América Latina ultrapassaram US$ 300 bilhões pelo terceiro ano consecutivo. Mesmo diante da pandemia, as exportações latino-americanas para a China continuam crescendo.

Tan Xin é jornalista do Diário Chinês para a América do Sul.

Traduzido por Pan Luodan, jornalista do Diário Chinês para a América do Sul.

 

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