Os desequilíbrios globais em conta corrente estão aumentando novamente, revertendo uma década de declínio constante após a crise financeira global. “A história sugere um risco claro: o aumento dos desequilíbrios frequentemente foi acompanhado por crescimento concentrado e de menor qualidade, desencadeou desajustes setoriais entre os parceiros comerciais e precedeu crises financeiras ou reversões abruptas de fluxos de capital”, alerta o Fundo Monetário Internacional (FMI).
“Com a economia global já absorvendo múltiplos choques, um ajuste tão desordenado poderia ser excepcionalmente custoso”, advertem Pierre-Olivier Gourinchas e Christian Mumssen, respectivamente diretor de Pesquisa e diretor do Departamento de Estratégia, Política e Revisão do FMI.
Em artigo publicado no site do Fundo, Gourinchas e Mumssen explicam que esse novo aumento no desequilíbrio em conta corrente reacendeu questionamentos sobre quais instrumentos de política podem impactar significativamente as posições externas. “Em particular, a recente expansão das políticas industriais e a proliferação de restrições comerciais têm diversas motivações econômicas e não econômicas, mas são frequentemente justificadas pelo objetivo de reduzir os desequilíbrios em conta corrente. No entanto, há pouca clareza analítica e empírica sobre como essas políticas afetam os saldos externos”, analisam.
“É claro que saldos positivos ou negativos em conta corrente não são inerentemente indesejáveis, pois podem refletir fatores estruturais, como o aumento da poupança em países à medida que suas populações envelhecem”, admitem.
“É importante também ter em mente que a métrica relevante para avaliar os desequilíbrios é a posição global da balança corrente de um país em relação ao resto do mundo, e não os saldos bilaterais ou setoriais. Os desequilíbrios também não se resumem a taxas de câmbio desalinhadas e competitividade de preços. Um diagnóstico significativo exige uma avaliação macroeconômica completa das influências sobre a poupança e o investimento, incluindo os fatores de política econômica e as forças estruturais”, afirmam os autores.

















