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terça-feira, janeiro 19, 2021

Desigualdade européia

Os salários médios brutos na União Européia variam entre mais de 3.500 euros, na Dinamarca, a 291 euros, na Bulgária. Na Espanha, o salário médio é quase 50% superior ao pago em Portugal (1.615 euros contra 1.078 euros), segundo a consultoria de recursos humano Adecco. Na República Tcheca, a remuneração média é 55% inferior à espanhola; na Polônia, 58,9% inferiores aos do trabalhador espanhol.

Pedagogia neoliberal
Sem qualquer aviso prévio e apesar de ser uma instituição pública, a Universidad Complutense de Madrid (UCM) expulsou 3.500 dos seus alunos que faziam cursos virtuais. O número representa 4% dos estudantes matriculados na instituição. De uma hora para outra, eles perderam acesso a suas notas, apontamentos e comunicações oficiais.
Duas semanas depois, voltou a reconectá-los, permitindo que fizessem exames como os demais. Agora, ameaça que, caso não regularizem os pagamentos até setembro, poderão voltar a ser expulsos ou terem de se matricular novamente para cursar as mesmas matérias.
Como se vê, são os mais sublimes os princípios que regem instituições sob a direção de governos neoliberais, os mesmos que, na teoria, apontam a educação como o bem mais importante de uma sociedade.

Implodir os campus
A situação da UCM – maior universidade presencial do país, com 85 mil estudantes matriculados – está longe de ser caso isolado na Espanha, país no qual o desemprego entre os jovens bate na inacreditável marca de 57%. Com as universidades submetidas aos draconianos cortes de gastos públicos, os reitores têm elevado o valor das taxas cobradas pelos cursos – a UCM tem uma dívida de 142 milhões de euros.
O aumento médio no país é de 16% para a primeira matrícula, chegando a 38% nas instituições em Madri. A alta das taxas veio acompanhado do aumento das restrições para concessão de bolsas de estudos, o que resulta na ameaça de exclusão dos alunos com menos recursos dos campus espanhóis.

Elefantes brancos
Já nos Estados Unidos – onde cursar uma universidade pública custa, em média, quase US$ 8 mil ao ano, e as dívidas dos graduados chega a US$ 1 trilhão – estudantes de cerca de 20 universidades privadas de Direito ingressaram na Justiça contra às instituições às quais acusam de propaganda enganosa. Eles reclamam de maquiagem nas estatísticas de emprego dos seus graduados, para atrair mais alunos.
Pelo menos cinco das ações foram acolhidas por tribunais da Califórnia contra as universidades de San Francisco’s Golden Gate University, Southwestern, San Diego’s Thomas Jefferson, University of San Francisco y California Western School of Law – nesta o custo médio é de US$ 40 mil por ano.
“Não existe justificativa possível, mas mostra o desespero de universidades que construíram estruturas de um tamanho que necessita de muito dinheiro para manter prédios, salários, manutenção etc.” criticou a professora Sheila Embleton, da Universidade de York, em Toronto.

Corrupção e caixa 2
Ação judicial movida pela petroleira mexicana Pemex mostra como funcionam os bastidores das grandes multinacionais. A companhia quer recuperar, na Justiça de Nova York, quase US$ 160 milhões da Siemens (alemã) e da Skec (sul-coreana) em um caso de suborno mundial.
De acordo com a ação, as duas fizeram uma proposta fora da realidade, em 1996, para ganhar um contrato público para a modernização da refinaria da petroleira mexicana em Cadereyta.
“Em 15 de dezembro de 2008, a Siemens se reconheceu culpada de conspiração por violar a Lei sobre Prática de Corrupção no Estrangeiro (Foreign Corrupt Practices Act) dos EUA e concordou em pagar uma multa de US$ 1,6 bilhão às autoridades estadunidenses e européias, para pôr termo a acusações de que ela usava, rotineiramente, de subornos e caixa dois para obter grandes contratos públicos de serviços em todo o mundo, incluindo os projetos de modernização da refinaria no México”, relatam os advogados na ação.
Quanto à Skec, diversos funcionários foram presos na Coréia do Sul, em 2003, devido a irregularidades na administração mundial da empresa, incluindo corrupção.
 

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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