Desinformação também se combate com pensamento crítico

Por Karolyne Utomi.

Pense rápido: quando alguém te envia uma notícia bombástica pelo WhatsApp, para quem você compartilha primeiro para que esteja também informado(a)?

Na realidade, antes de pensarmos nisso, precisamos ter uma preocupação prévia essencial para os dias de hoje em que tudo acontece e se desenvolve no ambiente digital: devo compartilhar ou será que estou contribuindo com a desinformação? Quando mencionamos o termo desinformação, estamos falando de um contexto de desordem informacional.

Veja, ao contrário do que muitos pensam, desinformação não é falta de informação, em especial quando estamos falando em tempos de uma sociedade altamente conectada pela Internet. Existem inúmeras opiniões conflitantes no Brasil no que diz respeito ao significado e abrangência do termo “desinformação”, dentre elas: fake news/notícias falsas; falta de informação, notícias enganosas ou desatualizadas, entre outras. E de certa forma, entendo que cabe um pouco de cada neste termo.

Obviamente que há a necessidade de a sociedade se movimentar para que existam medidas eficazes para que se combata a desinformação, e algumas tentativas não muito bem-sucedidas, inclusive, já chegaram até a avançar consideravelmente, como o PL das Fake News, proposto pelo senador Alessandro Vieira.

Todavia, dentro de todas as definições que abarcam a palavra “desinformação”, um fato é que a sua disseminação é antes de tudo falta de pensamento crítico e de conscientização e esta reflexão, sim, deve ser amplamente compartilhada.

Tendo em vista que pessoas mal intencionadas sempre vão existir, e que diante da forma em que a internet se opera (de todos e para todos), temos que entender que cada um dos cidadãos tem um grande poder de, ao menos, diminuir a desinformação não só no Brasil, mas mundialmente, evitando tragédias, como linchamento de uma pessoa até a morte porque esta teve sua imagem divulgada indevidamente como assassina de crianças, ou ainda a fim de se evitar uma epidemia de cidadãos que de tanta informação sem pensamento crítico, podem ironicamente se tornarem mais burros e limitados.

Antigamente, as notícias eram divulgadas por meio de jornais e revistas impressas e que para serem publicadas eram submetidas a diversas análises e aprovações, havendo uma grande confiança depositada nos jornalistas.

Hoje em dia, temos que entender que os tempos são outros, e em vez de aguardarmos alguma lei que combata de forma eficaz a desinformação ou que alguém acabe com a internet e as redes sociais, como se o problema fosse a tecnologia, necessitamos ajustar nossos hábitos.

No ambiente digital, é possível que literalmente qualquer pessoa – um adolescente inconsequente, um criminoso, um médico, um jornalista – enfim, qualquer pessoa pode hoje em dia criar uma notícia em um site ou fazer um post em uma rede social e esta notícia circular em todo o país e até o mundo.

Pode ser que a pessoa apenas tenha colocado sua opinião sobre algo, e alguém equivocadamente entendeu que era a notícia de um fato, ou ainda pode ser que esta pessoa queira intencionalmente fazer com que muitas outras acreditem em uma ideia, e para isso, a tecnologia e a internet disponibilizam ferramentas em que ela pode simular uma conversa no WhatsApp entre duas pessoas públicas importantes, por exemplo.

Não há limites para as possibilidades que a internet propõe, tanto para o bem, como também para o mal. E por isso, é fundamental termos consciência e pensamento crítico aflorado sempre que navegarmos pelos campos dos ambientes digitais, em especial.

Veja, é muito simples, se pararmos para pensar. Sempre que recebermos alguma notícia ou lermos algo nas redes sociais, temos que criar uma regra: não tomar aquela informação como verdadeira antes de conferir se ela realmente é verdadeira.

Não importa se recebemos um link com uma notícia de uma tia querida, pois pode ser que ela tenha nos repassado sem ter este pensamento crítico. Por isso, quando uma informação chega até nós, podemos fazer diferente.

Vale sempre, sem exceção, perguntar para a pessoa que repassou a notícia se ela conferiu se realmente aquela informação procede. É surpreendente como quase todas as pessoas respondem que não.

Caso a pessoa que te passou não tenha conferido, você pode fazer a checagem buscando notícias parecidas de outras fontes, ou em vez de clicar no link, ir até endereço do site pelo seu próprio navegador. Até porque já cabe aqui mais um alerta: às vezes, o link que nos enviam pode ser um link malicioso, em que ao clicar aparentemente nada acontece, contudo o objetivo dele era invadir seu aparelho celular, e você nem percebe. Mas este é uma conversa que daria outro artigo.

De todo modo, que tenhamos o hábito de apurar e exercitar nosso pensamento crítico, sem exageros para que não haja uma descrença em tudo o que circula, mas que haja meramente uma dupla checagem.

Ao receber informações ou notícias online, pergunte, conteste, verifique e reflita se faz sentido. Não leia apenas o título da notícia, veja todo o contexto antes de concordar ou divulgar. E ensine este hábito aos seus filhos, sobrinhos, tios, avós e vizinhos.

A desinformação é capaz de mudar o rumo da vida de uma pessoa e até de todo um país, e cada um de nós podemos e devemos combatê-la.

 

Karolyne Utomi é sócia-fundadora da KR Advogados.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Últimas Notícias

Jovem baixa-renda é mais requisitado para voltar a trabalho presencial

Quanto menor a renda familiar, maior o percentual; brasileiros de 18 a 25 anos somam 42% das contratações temporárias no primeiro semestre.

Formbook afetou mais de 5% das organizações

Capaz de capturar credenciais e registrar digitação de teclado, malware figurou em segundo lugar no ranking mensal do país.

Sauditas liberam exportação de carne de unidades de Minas

De acordo com o Ministério da Agricultura, autoridades do país suspenderam o bloqueio de cinco plantas de carne bovina mineira.

Comerciários do Rio têm aumento

Já em São Paulo, emprego no comércio registra a maior alta mensal desde novembro de 2020.