Desperdício

Esta coluna dá seu contributo à cruzada, reafirmada pelo ministro Antônio Palocci, contra a má qualidade dos gastos públicos. Em 2005, o governo integrado por Palocci torrou R$ 140,9 bilhões com pagamento de juros da dívida interna. Como os beneficiários somam cerca de 15 mil famílias no Brasil, das quais uma minoria ainda mais restrita abocanha a esmagadora parte desse benefício, também se pode dizer que a política de focalização defendida pela equipe econômica já é aplicada ao pessoal do andar de cima.

O culpado
A globalização se estende por todas as áreas. Em São Paulo, tivemos no final de semana um exemplo das desculpas globalizadas. O franco-brasileiro (mais franco que brasileiro) Pão de Açúcar e a multinacional EMI atribuíram ao excesso de euforia do público a responsabilidade pelo acidente que terminou com a morte de três pessoas e com dezenas de feridos num show improvisado de uma banda virtual mexicana.
Culpar o populacho pela falta de ação ou pela incapacidade de organização é expediente usado por políticos e empresas e, pelo que se vê, não somente brasileiros. O secretário de Saúde do Município do Rio de Janeiro, Ronaldo César Coelho, atribui à imprevidência da ralé a razão para qualquer problema em sua área, da falta de ar condicionado ao aumento dos casos de dengue.
Se há tumulto na venda de entradas para o show do grupo U2 (aliás, também no supermercado Extra, do grupo franco-brasileiro), os organizadores se eximem de responsabilidade e mencionam o excesso de procura.
O presidente Lula responsabiliza a cultura dos partidos políticos no Brasil pelo aparecimento de corrupção (ou melhor, recursos não contabilizados) em seu governo (Bush prefere jogar a culpa de tudo nos ombros dos “terroristas”).
Assim, sem recorrer aos búzios ou a bola de cristal, já se pode imaginar quem levará no lombo no caso de (previsíveis) problemas no show dos Rolling Stones no próximo dia 18, na Praia de Copacabana.

Calcanhar de Bush
Além da limitação imposta pelo crescente recurso aos reservistas, os Estados Unidos enfrentam restrições econômicas devido a seus gigantescos déficits fiscais para manter a ocupação do Iraque. Em apenas três anos de administração Bush, o país passou de um supéravit orçamentário de US$ 240 bilhões – fruto dos dez anos seguidos de crescimento durante o governo Clinton – para um déficit que somava cerca de US$ 400 bilhões, no fim de 2003. A esse número devem ser somados US$ 87 bilhões para o “custo Iraque”.

Nas mãos do mundo
No início do governo Bush, a previsão era de que o s EUA teriam um superávit fiscal de US$ 5 trilhões a US$ 6 trilhões, em 2013. Agora, as projeções são de déficit entre US$ 1,8 trilhões a US$ 4 trilhões. Com o déficit externo em cerca de US$ 600 bilhões, a economia norte-americana precisa atrair US$ 2,8 bilhões em recursos estrangeiros por dia para financiar suas contas. Não é preciso ser um fanático por ajustes fiscais para perceber a sustentação precária desse tipo de financiamento.

Turismo
O Hotel Pestana sedia no próximo dia 31 o I Forum Planet Work/Cesgranrio de Turismo. Coordenado pelo professor Maurício Werner, o evento vai discutir as novas tendências do turismo e buscar algumas soluções. Trata-se de uma oportunidade única, declara Thereza Milton, coordenadora científica do evento, de encontrar grandes nomes do turismo brasileiro, que vão apresentar cases de sucesso. Mais informações em www.planetworkrio.com.br

Briga continua
O sindicato das empresas de aviação (Snea) acha que os esclarecimentos prestados pelo Departamento de Aviação Civil (DAC) sobre a venda da VarigLog para um grupo estrangeiro são “rigorosamente insatisfatórios, além de contraditórios, demonstrando um quadro preocupante de violações de dispositivos constitucionais e legais que regem as concessões de serviços públicos e os correspondentes contratos.”
Essa foi a resposta do sindicato a ofício do procurador da Republica Paulo José da Rocha Júnior, que indagara sobre o “grau de satisfação” do Snea com as respostas do DAC. O Snea espera que a procuradoria inicie processo para “impedir violação ao ordenamento jurídico que disciplina o setor aéreo”.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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