Despesas&despesa$

Por que aqueles que – a propósito do fim do famigerado fator previdênciário – apressam-se em prever o fim do mundo, sempre baseados em números fantasiosos e superfaturados, nos quais nunca consideram os efeitos positivos sobre a arrecadação do aumento do poder aquisitivo da população, não fazem cálculos similares nem cobram a existência de receita correspondente para cobrir o rombo trazido às contas públicas pelo mais recente aumento da taxa básica de juros (Selic) perpetrado pelo Banco Central?

Relações públicas
Um acordo de proteção de florestas na Lapônia, assinado entre a gigante da celulose Stora Enso e o inevitável Greenpeace, mostra como a fabricação de fatos “verdes” pode ajudar na imagem de grandes corporações. O que seriam más notícias sobre o fechamento de fábricas e aumento do desemprego transformou-se em esforço ecológico.

Favelas Cariocas
O Laboratório de Etnografia Metropolitana (LeMetro/IFCHS/UFRJ) organiza, entre os próximos dias 19 e 21, o colóquio “Aspectos humanos da favela carioca: ontem e hoje”. O evento comemora os 50 anos da publicação do primeiro grande estudo sobre as favelas do Rio de Janeiro – Aspectos Humanos da Favela Carioca – nos anos 1940 pelo frei dominicano Louis-Joseph Lebret e coordenado pelo sociólogo José Arthur Rios. O evento será realizado no Salão Nobre do IFCS-UFRJ (Largo de São Francisco, 1 – Centro – Rio de Janeiro). Mais informações pelo telefone (21) 2250-8035, ramal 433.

Prejuízo olímpico
Os gastos com a realização dos Jogos Olímpicos de 2000 estão longe de serem os responsáveis pela crise em que se meteu a Grécia – muito superiores foram os prejuízos causados pela adesão cega do governo grego ao canto de sereia dos derivativos globais. Mas as despesas com as Olimpíadas não foram desprezíveis e ajudam a lançar o debate sobre os ganhos e perdas com a realização de eventos cada vez mais gigantescos, o que inclui Copa do Mundo de futebol e até os Jogos Olímpicos de Inverno.
Andrew Zimbalist, do Smith College, em artigo publicado na revista Finance & Development de março, levanta algumas questões sobre o tema. Estudos econométricos citados por ele mostram que sediar competições quadrienais traz pouco – ou nenhum – ingresso de capitais ou benefício para o emprego.

Renda não sobe ao pódio
Estudos citados por Zimbalist mostram pequeno incremento no emprego em países que sediaram Olimpíadas, porém sem acréscimo na renda. Em Copas do Mundo, o efeito parece ser ainda menor. As despesas, porém, se perpetuam. Em Sidney, custa US$ 30 milhões por ano manter o Estádio Olímpico. Muitas construções esportivas em Atenas são pouco usadas; o mesmo ocorre em Beijing.

Ouro que vai
Os Jogos de Barcelona deixaram débito de US$ 6,1 bilhões para a Espanha e para a cidade; em Nagano, o governo japonês amargou dívidas de US$ 11 bilhões; Atenas investiu cerca de US$ 10 bilhões em dinheiro público; Beijing, quatro vezes isso.
Atenas projetava um custo de US$ 1,6 bilhão – gastou dez vezes mais. Os Jogos de Inverno de 2014, na Rússia, começaram com estimativa de US$ 12 bilhões, mas, em 2009, as previsões explodiram para US$ 33 bilhões (US$ 23 bilhões em dinheiro público). Londres 2012 começou com US$ 4 bilhões, mas as despesas já chegam a US$ 19 bilhões – a ponto de membros do governo questionarem se valeu a pena ter entrado na disputa.

Agora vai
O Brasil tem, pelo menos, uma esperança: países em desenvolvimento parecem ganhar mais. Muitos investimentos em infra-estrutura que são adiados durante anos acabam sendo feitos empurrados pelos eventos esportivos.

Estilo Serra
As queixas de aliados do pré-candidato tucano à Presidência da República, José Serra, sobre o isolamento e o estilo centralizador do tucano não surpreenderam um economista que conviveu de perto com Serra, tanto no exílio no Chile, quanto, na fundação do PSDB e nos primeiros anos deste partido: “Posso afirmar com experiência : o comportamento atual corresponde a um comportamento de toda a vida do Serra. Ele sempre foi assim e, certamente, se comportará como tal na presidência, se eleito for”, conta.

Artigo anteriorMelhor quadrimestre
Próximo artigoPortugal
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

Sonho da casa própria fica mais distante

Contratação de moradias com recursos do FGTS cai ano após ano.

Moeda chinesa na mira dos bancos centrais

Participação como reserva internacional ainda é baixa… por enquanto.

Bolsonaro comanda pior resposta à pandemia da AL

Para formadores de opinião, Brasil foi pior até que a estigmatizada Venezuela.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

S&P aumenta nota de crédito da Petrobras

A agência de classificação de risco S&P Global Ratings (S&P) elevou a nota de crédito da Petrobras. A nota de crédito stand-alone (risco intrínseco)...

Movida supera as expectativas e ações sobem 8%

A Movida, empresa de locação de veículos, gestão e terceirização de frotas e vendedora de semininovos, reportou lucro líquido ajustado de R$ 174 milhões...

BNDES financia Norflor no combate ao efeito estufa

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) concederá financiamento será concedido à Norflor Empreendimento Agrícolas no valor de até R$ 27,4 milhões,...

Uma criptomoeda 100% brasileira

Uma parceria entre as startups Stonoex e AMZ viabilizou o lançamento da criptomoeda brasileira ZCO2. É uma criptomoeda que prevê a proteção da Amazônia...

Aumenta investimento estrangeiro em Xangai

O investimento estrangeiro integralizado em Xangai registrou um aumento anual de 21,1% no primeiro semestre de 2021, anunciaram autoridades locais. A utilização real do...