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domingo, janeiro 17, 2021

Destruição criadora

Ao comentar que a tragédia poderá retirar, ao menos temporariamente, o Japão da estagnação que vive há décadas, o economista Cézar Medeiros, da Fundação João Pinheiro, lembrou o conceito schumpeteriano (de Joseph Alois Schumpeter, um dos economistas mais importantes do século XX) da “destruição criadora”, própria do capitalismo. “Durante a reconstrução o Japão crescerá bastante. Infelizmente, no pós-catástrofe e pós-guerra observa-se períodos de prosperidade”, comentou, lembrando que a Europa viveu quase três décadas de prosperidade, turbinada pelo Plano Marshall, após o término da Segunda Guerra Mundial.

Qualidade reunida
Boa notícia para os pesquisadores brasileiros: as bibliotecas virtuais do Centro Edelstein de Ciências Sociais foram unificadas num único portal (www.bvce.org). O acervo inclui mais de 100 livros reimpressos de cientistas sociais brasileiros (www.bvce.org/LivrosBrasileiros.asp); 20.000 artigos acadêmicos, livros e informes sobre a sociedade da informação (www.bvce.org/SociedadeInformacao.asp); 15 mil artigos e 100 vídeos sobre a Democracia na América Latina (www.plataformademocratica.org/English/BuscaPublicacoes.aspx); e 500 artigos de revistas latino-americanas traduzidos para inglês (http://socialsciences.scielo.org/).

Elo perdido
Acadêmicos brasileiros e economistas mais críticos tiveram sua curiosidade despertada por um item em particular do currículo distribuído pelo novo presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Murilo Portugal, que deve tomar posse no cargo este mês, sucedendo a Fabio Barbosa: “Esse diploma com distinção em Desenvolvimento Econômico pela Universidade de Cambridge é algo meio misterioso. Será algum curso de extensão? Porque o óbvio seria que tivesse feito o doutorado na Inglaterra. Por que será que não o completou? É uma coisa estranha, uma espécie de “elo perdido” em uma cadeia”, ironiza um economista de humor mordaz.

Opções
A mesma fonte observa não ser um fato inusual que muitos brasileiros que vão fazer pós-graduação na Inglaterra não completem os requisitos para a obtenção do título de PhD (muitos mais estritos do que nos Estados Unidos): “A desistência é grande no meio do curso, mesmo entre os ingleses, que recebem boas ofertas de trabalho e desistem de ficar quatro anos para completar os requerimentos para a obtenção do grau”, historia.

Culpa do sistema
Cuidado, consumidor que for à Leroy Merlin. Um amigo desta coluna fez compras na loja de materiais de construção e ao passar pelo caixa viu que dois produtos estavam com preços maiores que nas prateleiras. Uma tomada, que custava R$ 6,26, saiu por R$ 6,57; um sifão custou no caixa R$ 6,97, mas na prateleira – e em cartazes espalhados pela loja – estava anunciado por R$ 6,50. A diferença – de R$ 0,78 – pode passar despercebida, mas representa um fantástico reforço no caixa da rede de lojas, que recebe milhares de clientes todo dia.
O fato é comum em outras empresas de varejo e, curiosamente, nunca o erro favorece o consumidor.

Já o Brasil…
Os Estados Unidos deixará de ser líderes em pesquisa científica mundial já na próxima década, mostra estudo feito na Universidade Penn State, nos Estados Unidos. “O que está emergindo é um sistema científico mundial no qual os EUA serão um participante entre muitos outros”, disse Caroline Wagner, autora do estudo.
De 1996 a 2008, a porcentagem de artigos científicos publicados pelos Estados Unidos em relação ao total mundial caiu 20%. Caroline atribui esse resultado não a uma queda nos esforços de pesquisa no país, mas ao crescimento exponencial observado em países como China e Índia. Os chineses já ultrapassaram os norte-americanos na publicação de artigos em áreas como ciência natural e engenharia. A diferença na qualidade – medida por indicadores como fator de impacto e citações – também está diminuindo. A China também deverá se tornar o primeiro país em número de cientistas.

Pluralismo
Debate que um think tank conservador realiza nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro, sobre liberdade de imprensa só tem palestrantes afinados com o discurso dos proprietários dos grandes meios de comunicação.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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