‘Deu ruim’, Pezão

Rio de Janeiro / 20:58 - 8 de nov de 2016

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

[caption id="attachment_558973" align="alignright" width="300"]Foto: Tomaz Silva/ABr Foto: Tomaz Silva/ABr[/caption] “Se mexer no meu salário, vai dar ruim”. A frase, dita por um policial militar do alto de um carro de som, sob aplausos e gritos, deu o tom do protesto de servidores estaduais de diversas categorias que fizeram manifestação em frente à Assembleia Legislativa (Alerj) na manhã desta terça-feira e chegaram até a invadir o plenário da Casa. Eles protestaram contra o pacote de medidas de arrocho anunciado pelo governador Luiz Fernando Pezão para enfrentar a crise financeira do estado e que deve começar a ser votado na Alerj no próximo dia 16. O pacote inclui 22 projetos de lei já publicados no Diário Oficial. Um dos principais pontos é o aumento da contribuição previdenciária. Além desse aumento, a proposta do governo é que todos os servidores, incluindo aposentados e pensionistas que ganham menos de R$ 5.189, atualmente isentos da taxa, tenham um desconto previdenciário extra por 16 meses no percentual de 30%. A aposentada da área de saúde do estado, Maria das Graças, se mostrou indignada com o que ela chamou de “pagar o pato” por conta de uma má administração do governo estadual. Maria disse que, com os descontos em seu salário, ficará impossível cuidar da própria saúde, setor em que ela trabalhou por mais de 20 anos. “Eu recebo R$ 900 de aposentadoria e serei descontada em R$ 300. Como viver com R$ 600? Será que o Pezão viveria com isso? Essa quantia não dá conta de, por exemplo, arcar com meu plano de saúde. Isso me entristece demais, pois passei grande parte da minha vida trabalhando em prol dessa área e agora eu tenho que recorrer aos planos privados, já que o estado está sucateado e nos sucateando”, lamentou. O prédio da Alerj, que é patrimônio histórico, sofreu algumas avarias, com portas arrombadas, vidros quebrados e móveis danificados. A sala da vice-presidência foi totalmente depredada. Apesar dos protestos, o secretário da Casa Civil do Estado do Rio de Janeiro, Leonardo Espíndola, reafirmou a necessidade de aprovação do pacote. “As medidas que estão sendo apresentadas são absolutamente necessárias, embora duras, para que a gente tenha previsibilidade de pagamento do salário do servidor público do estado. Então, não há possibilidade de recuo”, disse.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor