Dever de casa

O anúncio de que, sob os auspícios da Prefeitura da cidade, o governo federal inauguraria, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, a sexta unidade do tradicional Colégio Pedro II (CPII) é o tipo da boa notícia destinada a virar mais um factóide. É que, antes de tratar da expansão do colégio, o governo FH deveria garantir a contratação de professores para não deixar sem aulas os alunos das cinco unidades já existentes. Na unidade do Humaitá, por exemplo, a carência de professores é tal que tem mestre dando aula em mais de uma série ao mesmo tempo.

Fobia
Ainda não está claro se trata-se de mais uma demonstração de incompatibilidade entre o tucanato e vida inteligente ou de uma contribuição à obtenção do superávit primário (exclui gastos com juros) imposta pela cartilha do FMI, mas o fato é que, até a primeira quinzena do mês, os bolsistas da Capes não viram a cor do dinheiro normalmente liberado pelo Ministério da Educação a mestrandos e doutorandos até o quinto dia útil de cada mês.

Infértil
O ministro José Serra está de olho nos dados sobre a fecundidade no país. Por solicitação de Serra, pesquisadores do IBGE estão compilando, em caráter de urgência, dados sobre o tema. Não se sabe se o interesse pode ter como efeito colateral ajudar a compreender as razões do crescimento meramente vegetativo das intenções de voto no tucano registrado pelas pesquisas eleitorais.

Ilusões
Para quem acha que a escolha pela dupla Menem/Cavallo do 1º de abril para institucionalizar, em 1991, a fábula da paridade do peso com o dólar poderia ter algum significado irônico ou, dependendo do ponto de vista, patológico, a coluna esclarece que, diferentemente do Brasil, na Argentina aquela data não é dedicada ao Dia da Mentira. Lá, essa efeméride é comemorada em 28 de dezembro. Mas, pela performance das marionetes do neoliberalismo por aqui, na América Latina, todo dia é Dia da Mentira.

Terra arrasada
Apenas os talibãs do neoliberalismo do jornalismo econômico se surpreendem e sentem urticárias com a guinada contra esse credo na Argentina. Com o desmonte imposto ao país, até a Águas Argentina – a companhia de água e esgotos – deixou de ser argentina. Doada na bacia das almas por Menem, Cavalo e outros, a empresa passou a mãos de grupos de Bélgica, França e Espanha.

Debates
O Fórum Social Pan Amazônico, em Belém (PA), de 25 a 27 deste mês, contará com a presença de um dos mais importantes pensadores marxistas da atualidade, o egípcio Samir Amin, autor de numerosas e importantes obras, incluindo Spectres of Capitalism (New York: Monthly Review Press, 1998). Amin é professor e pesquisador da Universidade de Dacar (Senegal) e dirige o Fórum do Terceiro Mundo, também em Dacar, e o Fórum Mundial das Alternativas. Durante sua participação no Fórum Social Pan-Amazônico, Samir Amin apresentará a palestra “O capitalismo depois do 11 de setembro e a guerra do Afeganistão”.

Vento em popa
Os tempos de guerra impulsionaram as vendas de armas e equipamentos militares da Rosoboronexport, agência de exportação de armamentos da Rússia. A estatal aponta mais uma vantagem: pagamento adiantado. A Rosoboronexport forneceu armas a 45 países. China, Índia, Chipre, Argélia, Grécia, Egito e Kuwait são responsáveis por mais de 90% das vendas da companhia. Aeronaves (75%) foram o principal item de exportação;  embarcações representaram 12%, equipamentos para tropas terrestres 5%, armas para defesa aérea 3% e outras armas 5% das vendas. A participação de pequenos pedidos (no valor de menos de US$5 milhões) representaram 90% das vendas totais em 2001. A companhia tem acumulada uma carteira com pedidos no valor de cerca de US$ 13 bilhões até 2006.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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