Dia de Cão

Instado a opinar sobre o Dia da Paz, o líder do assalto de ontem ao Unibanco, em São Gonçalo, identificado apenas como Max, deu depoimento para fazer muita ONG e sociólogo meditar em por que, apesar do apoio quase unânime da mídia, o número de participantes do ato de sexta-feira ficou muito aquém do esperado: “Também sou a favor, mas isso aí não resolve. Tem de dar um basta e agora, porque a cada dia que passa o país está ficando pior e vai piorar mais. Já trabalhei em “boca de fumo” e você acha que foi por que eu gosto? Sou trabalhador, mas não consigo emprego. Quem faz universidade, tem de comprovar experiência de três anos para conseguir emprego. A corrupção tomou conta do país. Eu estou aqui para dar um basta.” E foi por aí afora até ter seu discurso interrompido.
Se a entrevista, acolhida pela CBN, fosse exibida pela TV, corria o risco de se repetir em São Gonçalo a cena em que o personagem celebrado por Al Pacino leva a multidão ao delírio ao discursar na porta do banco de Nova York cercado pela polícia.

Poder real
A fraca adesão à manifestação organizada pela ONG Viva Rio sexta-feira passada e endossada por quase toda a mídia comprova que a popularidade da organização na grande imprensa é inversamente proporcional à sua presença real na sociedade. O ato – pífio, se levado em conta que as principais redes de comunicação dedicaram horas de suas programações com chamadas para a manifestação – serviu, pelo menos, para enterrar de vez a tese de que os caras-pintada que ajudaram a derrubar Collor foram fruto de uma série da TV Globo.

Reverência
Pela primeira vez em seus 130 anos de existência, a revista científica Nature terá, na edição que circula a partir de amanhã, como tema em sua capa um artigo de um cientista brasileiro. A deferência foi prestada ao professor João Carlos Setúbal, do Instituto de Computação da Unicamp, e autor de artigo sobre a conclusão da seqüência genética da bactéria Xyella fastidiosa.

Mudez
A Vale do Rio Doce fechou-se em copas sobre a ordem judicial para a quebra de sigilo bancário dos compradores da ex-estatal sobre a ordem judicial que determinou a quebra de sigilo bancário dos compradores da ex-estatal.  Por intermédio da sua assessoria de comunicação social, a empresa afirmou não ter nenhum comentário a fazer sobre o caso. Para justificar o silêncio obsequioso, a direção executiva alegou tratar-se de problema que diz respeito a cada um dos investidores.
Mudez II
O mesmo critério foi usado em relação às informações de estaria pronto o esquema a ser usado no descruzamento de participações acionárias entre a Vale e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entretanto, confirmou que as negociações estão em curso.

Casuísmo
O avanço das discussões sobre o fim da reeleição mostram que o presidente FH caminha para entrar para a história pela mesma porta de acesso de nomes que batizaram leis criadas em benefício próprio. Assim a exemplo da Lei Fleury, no futuro os historiadores falarão na Lei de Reeleição de FH.

Perda
A participação do café brasileiro no mercado mundial caiu de 27,1% no período de junho de 1998 a maio de 1999 para 23,6% nos 12 meses seguintes, segundo dados da Organização Internacional do Café (OIC). Segundo o jornal Coffee Business, especializado no setor, os embarques caíram de 22,7 milhões de sacas para 20,2 milhões.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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