Dia novamente de indecisão

Com juros reais negativos e a forte liquidez, a procura por ativos reais deve prosseguir.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Ontem foi dia de os mercados realizarem lucros recentes no início do dia, numa parada estratégica que chamamos de "freio de arrumação", mas depois a Bovespa conseguiu recuperação e manteve a faixa de 100 mil pontos do índice, enquanto dólar fechou em leve queda. Mas nos arriscamos a lembrar de que, com juros reais negativos e a forte liquidez, a procura por ativos reais deve prosseguir. O mercado americano é que voltou a ser pressionado, principalmente nas gigantes de tecnologia na Nasdaq. A Bovespa fechou em alta de 0,42%, em 100.090 pontos e o dólar cotado a R$ 5,23, com queda de 0,17%. O Dow Jones perdeu 0,47% e o Nasdaq com -1,27%.

Hoje mercados da Ásia encerraram o dia em alta, com destaque para Xangai com +2,07%, Europa virando para negativa neste início de manhã por aumento da infecção pelo covid-19 e futuros do mercado americano com Dow Jones em alta e Nasdaq em nova queda. Aqui, seguimos travados na faixa de 100 mil pontos, não deveríamos perder a casa de 98 mil pontos e só fica melhor quando conseguir passar o patamar de 102 mil e 104 mil pontos.

No Reino Unido, as vendas no varejo de agosto cresceram 0,8%, com previsão de alta de somente 0,5%, pelo quarto mês seguido e no ano acumula expansão de 2,8%. Na Alemanha, o PPI (atacado) ficou estável, mas mostra deflação anualizada de 1,2%. Já nos EUA, Donald Trump anunciou US$ 13 bilhões em ajuda para os agricultores, e melhoraram as chances de sair um pacote de estímulo fiscal entre Republicanos e Democratas.

O balanço patrimonial do Fed na semana anterior cresceu um pouco para US$ 7,11 trilhões e o FMI avalia o orçamento da Argentina e as medidas cambiais adotadas para nova rodada de ajuda financeira. Já o Fed volta a fazer novo teste de estresse com as instituições financeiras e estuda manter a restrição de distribuição de dividendos.

No mercado internacional, petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 0,59%, com o barril cotado a US$ 41,21. Nova tempestade está sobre o golfo do México e interrompe produção. O euro era transacionado em queda para US$ 1,184 e notes americanos com juros em 0,67%. O ouro e a prata tinham altas na Comex e commodities agrícolas com comportamento de alta na Bolsa de Chicago.

Aqui a B3 divulgou que o volume médio diário de agosto expandiu 59% em comparação com igual período de 2019, com R$ 31,4 bilhões e a quantidade de investidores ampliou para 3,0 milhões. A CVM acha possível liberar BDRs até o mês de outubro e a B3 estuda o lote mínimo para BDRS e ETFs em 1, abrindo espaço para maior pulverização e tornando a bolsa ainda mais internacional.

A FGV divulgou o IGP-M da segunda prévia do mês de setembro com a inflação subindo para 4,57% (de anterior em 2,34%), acumulando em 2020 inflação de 14,66% e em 12 meses com 18,20%. No mercado, nenhum indicador por aqui na agenda, enquanto nos EUA teremos o índice de indicador antecedente de agosto, a confiança do consumidor de Michigan de setembro e discurso de James Bullard, do Fed de St. Louis.

Achamos que a Bovespa pode tentar seguir em recuperação, dólar com viés de queda e juros também.

.

Alvaro Bandeira

Sócio e economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor