Dia novamente pesado

Hoje, exceto pela Bolsa de Xangai que subiu 0,32%, mercados da Ásia tiveram uma madrugada de quedas.

Opinião do Analista / 11:03 - 21 de fev de 2020

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Ontem, o dia foi de tensão em todos os mercados de risco do mundo e mercados acionários. Aqui não foi diferente, Bovespa apresentando queda de 1,66% e índice em 114.586 pontos, e dólar com cotação recorde nominal desde o Plano Real, com valorização de 0,59% e cotado a R$ 4,39. O coronavírus segue assustando os investidores em todo o mundo, e por aqui ainda incorporamos o peso de brigas políticas do governo Bolsonaro.

Hoje, exceto pela Bolsa de Xangai que subiu 0,32%. Os mercados da Ásia tiveram uma madrugada de quedas. A Europa também começou o dia com operações no campo negativo e os futuros do mercado americano na mesma direção. Aqui devemos trilhar o mesmo caminho de queda com o peso político e não deveríamos perder o patamar de 113.000 pontos, sob pena de acelerar perdas. Os investidores estrangeiros seguem sacando recursos da Bovespa e até 18/2 já tinham retirado liquidamente R$ 28,3 bilhões.

No início da noite, a Vale divulgou seus resultados mostrando prejuízo em 2019 de US$ 1,68 bilhões, mas com muitos justes referentes à tragédia de Brumadinho e baixa de ativos. Mas, temos dados positivos como a queda da dívida líquida de mais de 50% para US$ 4,9 bilhões e boas perspectivas para o ano em curso, com preço de minério na China acima de US$ 90 por tonelada. Além disso, a empresa deve crescer investimentos no ano em 35%, para US$ 5 bilhões. Não podemos esquecer que a empresa é boa geradora de caixa.

No Japão o presidente do Banco Central do Japão (BOJ) Haruhiko Kuroda, disse que ainda não está na hora de discutir novas medidas em função do coronavírus. Na China, o coronavírus expandiu 889 novos casos, com 118 mortes e na Coreia aumento a incidência de infectados. Ainda no Japão, a inflação medida pelo CPI de janeiro subiu 0,7% na comparação anual e o núcleo com +0,8%.

O dia está sendo de divulgação de indicadores OMI da atividade industrial, de serviços e compostos para diferentes países em fevereiro. No Japão, o índice composto caiu para 47 pontos (anterior em 50,1) mostrando contração da atividade, já que ficou abaixo dos 50 pontos. Na Alemanha, o PMI industrial subiu para 47,8 pontos e na Zona do Euro subiu para 49,1 pontos e serviços em 52,8 pontos. No Reino Unido, alta do industrial para 51,9 pontos. Ainda na Zona do Euro a inflação medida pelo CPI de janeiro na comparação anual ficou em 1,4%.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda de 1,39%, com o barril cotado a US$ 53,13. O euro era transacionado em alta para US$ 1,08, o ouro e a prata mantinham altas na Comex e commodities agrícolas na Bolsa de Chicago com viés de queda.

Aqui, os petroleiros indicaram volta ao trabalho suspendendo a greve e o presidente Bolsonaro cobrou do ministro Paulo Guedes um crescimento mínimo do PIB em 2020 de 2%, o que pode ficar complicado se reformas não forem aceleradas, e isso independe da atuação do ministro. Já o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou operações de crédito de entes da federação (estados e municípios) com e sem garantias no montante de R$ 8,4 bilhões. O que pode ser complicado no ajuste da economia e transparência das contas.

No mercado, a expectativa é de Bovespa em queda, dólar ainda pressionado (mas pode realizar do recorde atingido) e juros em alta. A agenda pesada do dia e feriado prolongado de Carnaval pode alterar o comportamento dos investidores por aqui.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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