Dia novamente positivo

Quarta começou fraca na Ásia; destaque coube à Bolsa de Tóquio com alta de 8,04%.

Opinião do Analista / 10:28 - 25 de mar de 2020

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Ontem foi um dia de excepcional recuperação dos mercados acionários em todo o mundo com a Bovespa encerrando em alta de 9,69% e índice em 69.729 pontos, mas ainda apresentando perda acumulada em 2020 de 39,7%. No mercado americano, o Dow Jones com valorização de dois dígitos em 11,36% e o Nasdaq com 8,12%.

Hoje o dia até que começou fraco na Ásia, mas os mercados ganharam força e fôlego quando foi anunciado acordo no Congresso americano aprovando pacote de US$ 2 trilhões. O destaque coube à Bolsa de Tóquio com alta de 8,04%. A Europa começou o dia com forte alta de mais de 4%, mas agora desacelerava e ainda no campo positivo. Os futuros do mercado americano na mesma sintonia também desaceleraram, mas ainda em alta. Aqui seguimos com largo espaço para recuperações e seria positivo que fossemos na direção de ultrapassar a casa dos 73 mil pontos do Ibovespa.

Adicional ao acordo do Congresso americano, o presidente Donald Trump reiterou que deseja abrir a economia americana até a Páscoa, se os números do coronavírus permitirem. Já secretário Larry Kudlow disse que agregando as medidas adotadas pelo Fed o pacote de estímulo beira US$ 6 trilhões. No Eurogrupo, as medidas fiscais dotadas atingem 2% do PIB da Zona do Euro e ainda debatem formas de ampliar a recuperação da economia da região.

O BOJ (BC do Japão) disse em relatório que as pressões sobre a economia cresceram com a pandemia e temem a posição financeira de pequenas e médias empresas. Podem comprar títulos no valor de até 8 trilhões de ienes e que os efeitos sobre a economia podem não ser somente transitórios. Na Alemanha, o índice IFO de sentimento empresarial de março encolheu para 86,1 pontos e o segundo trimestre pode ser desastroso para a economia.

Na China, mortes confirmadas hoje de 4 pessoas e 47 contaminações, enquanto a Tailândia manteve juros estabilizados em 0,75%. No Reino Unido, a inflação medida pelo CPI (consumidor) de fevereiro na comparação anual ficou em 1,7%. Na sequência dos mercados no exterior, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda de 0,50%, com o barril em US$ 23,89. O euro era transacionado em US$ 1,082 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,85%. O ouro tinha queda e a prata alta na Comex e commodities agrícolas com altas na Bolsa de Chicago.

Aqui o presidente Bolsonaro falou ontem em cadeia nacional de TV e conseguiu ser criticado por todos, pelos ataques contra a imprensa, governadores e especialistas em saúde. Os presidentes da Câmara e Senado responderam com críticas e pediram sensatez e união nesse momento difícil do país. A sensação geral é que também falta a figura de um administrador da crise no governo.

Na economia, o IPC da Fipe da terceira quadrissemana de março mostra alta de 0,10%, de anterior em 0,12%. Já a agenda do dia é pesada com a prévia da inflação oficial pelo IPCA-15 de março e notas do mercado aberto e setor externo. Além disso, teremos o fluxo cambial da semana anterior e o relatório da dívida pública de fevereiro. Nos EUA teremos as encomendas de bens duráveis de fevereiro.

O dia parece ser de alta da Bovespa (se exterior mantiver a tendência), dólar mais fraco e juros em alta.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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