Dia pode ser de ajuste

Mercados voltam, nesta quinta, ao processo de queda, com Bolsas da Ásia fechando no negativo.

Opinião do Analista / 10:30 - 26 de mar de 2020

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Ontem os mercados no mundo emplacaram o segundo dia seguido de recuperação e na Bovespa acumulamos valorização de 17,9%, enquanto as empresas listadas observaram ampliação do valor de mercado de R$ 388,2 bilhões. Esses dois dias de alta trazem algum alívio em chamadas de margens em derivativos e resgate de quotas de fundos. Ontem, a Bovespa registrou alta de 7,50%, aos 74.955 pontos, enquanto o Dow Jones subiu 2,39%.

Hoje os mercados voltam ao processo de queda, com Bolsas da Ásia fechando no negativo (destaque para Tóquio com -4,51%. Europa iniciando o dia com quedas acima de 1% e futuros dos EUA também no campo negativo, mas as oscilações são mais modestas. Aqui há espaço para recuperações, mas devemos seguir comportamento externo de queda. Bom seria não perdermos patamar ao redor de 67 mil pontos.

Ontem, o Senado americano aprovou o pacote de medidas proposto pelo governo Trump de US$ 2 trilhões que junto com a atividade do Fed chega próximo de US$ 6 trilhões, o maior da história americana. A Câmara deve votar até amanhã e em seguida vai para a sanção presidencial. Também anunciaram que depósitos nas contas dos cidadãos deve começar a acontecer em semanas e o sistema de ajuda para as pequenas empresas serão bem simples, segundo o secretário do Tesouro, Steve Mnuchin.

Já Donald Trump fala que alguns setores poderão voltar a atividade antes de outros e que empresas estão fazendo esforços de produção de suprimentos para atender a demanda do coronavírus. Na China, nessa madrugada, foram relatadas 6 mortes e 67 novos casos de contaminação. Na Alemanha, o índice GFK de confiança do consumidor caiu para 2,7 pontos (anterior em 8,3 pontos) no menor patamar desde maio de 2009.

No Reino Unido, as vendas no varejo de fevereiro surpreenderam com queda de 0,3%, de projeção de +0,3%, e na Índia o esforço para reduzir o impacto do coronavírus será de US$ 22,3 bilhões e isolamento total. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda de 2,57%, com o barril cotado a US$23,88. O euro era transacionado em alta para US$ 1,096 e notes americanos de 10 anos com juros em 0,80%. O ouro e a prata com quedas na Comex e commodities agrícolas também negativas na Bolsa de Chicago.

Aqui, Paulo Guedes apoia o fim da quarentena em 7 de abril, mas os governadores em reunião foram contra a postura de Bolsonaro e mantêm quarentena forte. Já as empresas brasileiras aproveitam a queda dos bonds para recomprar títulos emitidos. Banqueiros avaliam a posição do BC como tímida e que deveria agora usar mais o "seguro" de nossas reservas externas para equilibrar o câmbio.

O Relatório de Inflação Trimestral (RTI) começa a ser divulgado pelo BC e traz mudanças provocadas já pelo coronavírus. A inflação, na visão de mercado em 2020, cai para 2,6%. O consumo das famílias encolhe para 0,8% (de 2,3%), o consumo de governo cai para 0,2% e a formação bruta de capital fixo é detonada de +4,1% para -1,1%. O dólar considerado foi de R$ 4,75. O PIB de 2020 fica em zero, de projeção anterior em +2,2%.

No mercado, a expectativa é de Bovespa encolhendo um pouco, dólar fraco e juros em queda. Mas a agenda pesada nos EUA, assim como o noticiário pode mudar um pouco o quadro. Portanto, atenção nas operações de curto prazo.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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