Dia positivo

Quarta foi positiva para os mercados em todo o mundo, exceto para Xangai; aqui perdemos um pouco de tração no meio da tarde.

Opinião do Analista / 11:26 - 20 de fev de 2020

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O dia foi positivo para os mercados acionários em todo o mundo, exceto para a Bolsa de Xangai que registrou queda durante a madrugada de 0,32%. Aqui chegamos a perder um pouco de tração no meio da tarde, em função do lado político quente e votação no STF do decreto de venda de ativos da Petrobras.

No exterior, o coronavírus segue assustando os investidores com a possibilidade de desaceleração econômica global. O FMI projeta a economia global crescendo de forma frágil, enquanto o IHS Markit estimou PIB da China encolhendo para alta de 5,4% em 2020, de estimativa anterior de 5,8%. Aqui o banco Itaú estima que o PIB global cresça 3,1% em 2020, a China encolhendo para 5,8% (anterior em 6,0%), EUA e Zona do Euro mantidos em, respectivamente, 2,0% e 1,0%. O Japão, segundo a instituição, deve crescer somente 0,5%.

Nos EUA, a construção de novas residências de janeiro encolheu 3,6%, mas a previsão era de queda de 11,7%. Já a inflação medida pelo PPI de janeiro subiu 0,5%, quando o previsto era +0,1%. Ainda nos EUA, o presidente do Fed de Minneapolis, Kashkari, disse que a economia americana está mais forte que outras e se sente confortável com o nível atual dos juros. Espera juros mantidos por longo período, mas que se tivesse que apostar em mudanças seria em queda. Sobre o coronavírus, disse que, se houver propagação maior, os EUA sentirão os efeitos. Mesmo considerando todas essas opiniões, o PBoC (BC da China) disse que o impacto do vírus sobre a economia será limitado.

A ata da última reunião do Fed indicou que o coronavírus emergiu como risco ao crescimento global, mas o sentimento do investidor melhorou com queda de outras incertezas. Os membros discutiram o uso de faixas de inflação e entendem que a política monetária deve permanecer apropriada por um tempo. Enxergam a inflação convergindo para a meta de 2,0%, mas ainda menor em 2020. Estão sensíveis as mudanças e risco que podem ocorrer e nessa situação poderia haver mudanças.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava forte alta de 2,40%, com o barril cotado a US$ 53,30. O euro era transacionado praticamente estável em US$ 1,079. O ouro e a prata eram negociados em alta na Comex e commodities agrícolas com viés negativo na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado na China em queda de 0,20%, com a tonelada em US$ 90.

No segmento local, não bastasse a declaração de Bolsonaro ontem sobre jornalista, nesta quarta foi a vez do general Heleno incendiar com declarações sobre chantagem do Congresso contra o governo, se referindo à possível queda dos vetos do presidente ao orçamento impositivo. O STF também estava julgando o decreto que facilita a venda de ativos pela Petrobras, e quando o placar estava empatado em 4X4, o ministro Toffoli pediu vista e interrompeu o julgamento.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que já tinha se expressado sobre a fala de Bolsonaro, também criticou o chefe do GSI, general Heleno. Três partidos também entraram com pedido de cassação do mandato de Flavio Bolsonaro. E só para complicar um pouco mais, a imprensa e redes sociais seguiram explorando boatos de saída de Paulo Guedes, que o próprio disse ser fake news.

O Banco Central anunciou o fluxo cambial de fevereiro até 14 de fevereiro com ingresso de recursos de US$ 1,8 bilhão, com o ano acumulando entradas de US$ 1,49 bilhão. As perdas com operações de swap cambial em fevereiro estavam em R$ 2,6 bilhões. No mercado, dia de DIs com queda de juros para os vencimentos mais líquidos e dólar com alta de 0,19 encerrando cotado a R$ 4,365. Na Bovespa, na sessão de 17 de fevereiro, os investidores estrangeiros voltaram a sacar recursos no montante de R$ 258,5 milhões, deixando o saldo de fevereiro negativo em R$ 7,9 bilhões e o ano de 2020 com saídas líquidas de 27,1 bilhões.

No mercado acionário, alta da Bolsa de Londres de 1,02%, Paris com +0,90% e Frankfurt com +0,74%. Madri e Milão também com altas de respectivamente 0,78% e 1,01%. No mercado americano, novos recordes de pontuação histórica para o Nasdaq que registrou alta de 0,87% e Dow Jones com +0,40%. Na Bovespa, alta de 1,33% e índice em 116.504 pontos.

Na agenda desta quinta, teremos o IPCA-15 de fevereiro, a confiança do consumidor de fevereiro e a sondagem da indústria pela CNI. Nos EUA, o índice de atividade industrial de Filadélfia de fevereiro, os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior e o índice de indicadores antecedentes de janeiro.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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