Diagnóstico de um ano de superação do setor de seguros

Dentro dos seguros Massificados, o Residencial viu sua demanda aumentar no ano da pandemia e apresentou crescimento de dois dígitos desde agosto.

Surpreendente no primeiro momento, a pandemia produziu reconhecidos danos a todas as atividades econômicas, mas seus efeitos foram sendo gradualmente reduzidos no setor segurador no decorrer do segundo semestre do ano passado, indicando que a pandemia despertou maior sentido de aversão a riscos para a sociedade como um todo. A crônica de 2020, um ano histórico, com todas as repercussões para o setor segurador, é tratada na seção “Análise de mercado” da edição 37 da Conjuntura CNseg, publicação que reflete a avaliação da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

A redução dos impactos sobre o setor segurador nacional foi gradual, até ter atingido o melhor resultado nominal no mês de dezembro – mais de R$ 30 bilhões em prêmios e alta de quase 15,4% sobre o mesmo mês de 2019 -, importante para levar a arrecadação anual de 2020 para o território positivo: alta de 1,3% e arrecadação de R$ 274 bilhões em prêmios de seguros, contribuições de previdência e faturamento de capitalização (sem Saúde Suplementar e Dpvat). Outros R$ 151 bilhões pagos em sinistros, benefícios, sorteios e resgates, representaram alta de 8,3%, em relação aos valores de 2019, demonstrando a capacidade de atendimento às demandas de empresas e pessoas.

O vírus desafiou, contudo, mentes e corações de seus dirigentes, que encontraram na migração digital a pedra de toque para superar obstáculos causados pelas restrições à mobilidade urbana e ao funcionamento de inúmeras atividades, sobretudo as de serviços.

Por segmento, as Coberturas de Pessoas cresceram 20,7% (R$ 21,5 bilhões) em dezembro, na comparação com o mesmo mês de 2019, obtendo arrecadação estável na comparação anual entre 2020 e 2019 (R$ 172,45 bilhões). Dessa forma, o segmento recuperou as perdas concentradas no segundo trimestre do ano passado. Já os seguros de Danos e Responsabilidades avançaram 9,9% (R$ 7,3 bilhões) em dezembro, em relação ao mesmo mês do ano anterior, e encerraram 2020 com crescimento de 6% (R$ 78,3 bilhões) sobre 2019.

Os Títulos de Capitalização, após um indicativo de retomada no terceiro trimestre, voltaram a apresentar retração e, em dezembro, recuaram 9,8% (R$ 2,0 bilhões), em comparação ao desempenho do mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o faturamento foi de R$ 22,9 bilhões, recuo de 4,1% sobre o mesmo período do ano anterior. Por sua vez, os resgates cresceram 17% no ano nos Planos de Acumulação em Coberturas de Pessoas, resultando em captação líquida 23,6% inferior a observada no ano anterior.

De volta aos prêmios, constatam-se destaques em diversos produtos de Danos e Responsabilidades. O de seguro Automóvel, na comparação entre dezembro de 2020 e 2019, teve aumento de 6,6% – porém, no acumulado do ano decresceu 2,1%. O grupo Patrimonial cresceu 8,5% em dezembro, em relação ao mesmo mês do ano anterior. No ano, o avanço foi de 10,2% (R$ 14,6 bilhões).

Os seguros Massificados, que correspondem a mais de 80% do grupo Patrimonial, movimentaram, em dezembro de 2020, mais de R$ 1 bilhão em prêmio, avanço de 23,1% contra dezembro do ano anterior. No acumulado em 2020, o montante de prêmio ultrapassou R$ 10,5 bilhões, valor 5,9% maior do que aquele observado em 2019.

Dentro dos seguros Massificados, o Residencial viu sua demanda aumentar no ano da pandemia e apresentou crescimento de dois dígitos desde agosto. Em dezembro, o avanço na arrecadação foi de 21,7% sobre o mesmo mês do ano anterior e, no ano, o crescimento é de 6,1%. O resultado do seguro Rural – arrecadação recorde de quase R$ 7 bilhões – foi ainda mais extraordinário: de 29,5% no ano, em relação a 2019.

O segmento de Coberturas de Pessoas conseguiu recuperar as perdas ocorridas durante 2020, fechando o ano com virtual estabilidade. Entre os chamados Planos de Risco, os destaques foram os seguros de Vida e Prestamista. Já a Saúde Suplementar, apesar da conjuntura econômica adversa, fechou o ano com mais beneficiários sob seu guarda-chuva. Um total de 74.614.676, dos quais 47.564.363 beneficiários de planos de assistência médica e 27.050.313, odontológicos.

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