Diferença do tamanho da muralha da China

Enquanto o Brasil investiu US$ 19 milhões na China, as empresas chinesas canalizam um fluxo anual de US$ 10 bilhões em investimentos aqui, e contabilizam mais de US$ 30 bilhões em ações brasileiras, segundo cálculos apresentados pela ministra conselheira da economia e comércio da Embaixada da China no Brasil, Xia Xiaoling. Desde 2009, existem mais de 200 empresas de capital chinês que continuamente investiram na mineração, energia elétrica, produção, finanças, agricultura, serviços, comércio (atacado e varejo) e outros campos no Brasil. Xia afirmou que, apesar da instabilidade política e econômica em nosso país, os laços têm se aprofundado, com um aumento do investimento e a participação de empresas brasileiras e chinesas nos mercados. “O investimento mútuo é, portanto, a força motriz que permitiu chegar a este patamar e será o impulso para as relações comerciais e econômicas entre a China e o Brasil”, afirmou a conselheira.

Os números mostram a imensa desproporção entre os objetivos econômicos dos dois países. Mais: revelam, como esta coluna já comentou e demonstrou em outras ocasiões, a falta de projeto de nação no Brasil e a determinação chinesa em implantar seus planos. Não à toa, o primeiro empréstimo assinado pelo Banco dos Brics, de US$ 75 milhões, foi com a província de Xangai.

Corruptores sem corruptos

O julgamento do Trensalão tucano deve começar, finalmente, no início de 2017. Mas os políticos envolvidos – o escândalo abrangeu os governos Serra e Alckmin – podem ficar tranquilos. Os processos que envolvem a possível participação de integrantes do governo paulista descansa em alguma gaveta da Procuradoria de São Paulo.

São três anos sem nenhum condenado, apesar de a delação da Siemens ter exposto o mapa da mina. O procurador Marcelo Mendroni, um dos que está à frente das investigações, acha quase impossível que as empresas tenham ganhado as licitações sem apoio político.

A lentidão é comparada à velocidade das condenações da Operação Lava Jato. Segundo informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha, a CGA (Corregedoria Geral da Administração), órgão paulista, nos últimos meses solicitou a Moro o compartilhamento de informações da Lava Jato que poderiam ajudar no Trensalão, mas nunca recebeu uma resposta.

Obrigação

O Governo Temer comemora que reduziu em quase 20% as taxas de juros para linhas de financiamento destinadas às regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste. Não chega a ser uma benesse: a queda acompanha a prevista diminuição da inflação para 2017. Claro que, com Meirelles e associados no Ministério da Fazenda, havia o risco de manterem os juros mesmo esperando uma menor alta de preços, a exemplo do que fizeram com a TJLP do BNDES.

OS

O Hospital Estadual Vereador Melchiades Calazans (HEVMC), em Nilópolis (Baixada Fluminense), passará por readequação a partir desta sexta-feira e será reaberto como Hospital Estadual de Traumato-Ortopedia. O novo hospital contará com um centro de ortopedia específico para idosos, retomando o serviço que era oferecido no antigo Centro Estadual de Trauma do Idoso (CETI), fechado em 2015. O Centro de Tratamento de Queimados que funciona na unidade será mantido.

A gestão do hospital, porém, continuará a cargo de uma organização social, sinônimo de maiores despesas para o estado e menor qualidade de atendimento para a população.

Compensação barrada

O Conselho Nacional de Justiça suspendeu um provimento que obrigava servidores da Justiça do Rio de Janeiro a trabalharem durante o recesso forense. O Sindjustiça-RJ, representado pelo escritório Cassel Ruzzarin Santos Rodrigues Advogados, entrou com pedido de liminar para derrubar o Provimento 123/2016, da Corregedoria de Justiça do Rio, baixado na véspera do recesso. O provimento obrigava servidores da Justiça, que aderiam à greve por reajuste salarial, a trabalharem durante o recesso.

A corregedoria queria obrigar a compensação dos serviços, sem discutir os termos com o sindicato que deflagrou a greve. De acordo com o advogado Marcos Joel dos Santos, a tentativa não se coaduna com o regime de greve dos servidores públicos. “É que a compensação dos serviços é medida para pacificar o dissídio, não para punir aqueles que aderiram ao movimento que lhes é garantido constitucionalmente. E era evidente o intuito de punição, inclusive com ameaças de medidas disciplinares contra os servidores”, avalia o advogado Jean Paulo Ruzzarin.

No escuro

O presidente da Anatel, Juarez Quadros, diz que a União se livra de um “mico” ao alterar o marco legal das telecomunicações. A alteração daria de presente às teles ativos avaliados em R$ 100 bilhões, em troca de investimentos que as empresas fatalmente teriam que fazer para se manter no mercado.

Quadros nega o número e diz que os ativos tinham esse valor na época da privatização e hoje não alcançam nem R$ 20 bilhões. Mas o próprio presidente admite o uso da “chutometria”: “A Anatel calculará exatamente o valor seis meses depois de sancionada a alteração”.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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