Dilúvio

Quando celebridades anunciam que estão mobilizando patrocinadores para recolher doações para as vítimas das enchentes, o país está diante de uma segunda  tragédia: a do dilúvio moral e ético, em que o marketing de ocasião não encontra uma só barragem para deter o oportunismo do ganho fácil. No entanto, quando a imprensa, pautada por esse tipo de interesses, transforma tais ocorrências em fatos jornalísticos, trata-se de coisa ainda mais grave. Ignorando o forte sentimento de solidariedade que move, no anonimato, milhares de brasileiros no socorro às vítimas das enchentes, esse tipo de imprensa produz um trágico esvaziamento de sentidos, transformando em espetáculo bufo o que poderia ser uma ponte para a construção de um país melhor e mais solidário.

Pré-sal
O presidente mundial do grupo francês Technip, Thierry Pilenko, anuncia nesta quarta-feira investimentos na ampliação do Porto de Angra dos Reis, litoral sul fluminense. O objetivo é transformar o terminal em um centro de fornecimento de equipamentos e apoio logístico ao pré-sal. O anúncio será feito no Palácio das Laranjeiras, residência do governador, com participação de Sérgio Cabral e do secretário de Desenvolvimento, Julio Bueno.

Oferta cultural
A Livraria DaConde, que fechará sua loja no Leblon no final deste mês, está oferecendo descontos de até 50% em livros, CDs e DVDs. Enquanto aguarda um novo local de funcionamento, as vendas serão feitas através do site www.dacondevirtual.com.br. A DaConde fica Rua Conde de Bernadotte, 26/loja 125, no Leblon. Informações: (21) 2274-0359.

Nova direção
O professor Glaucius Oliva é o novo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ele ocupava a diretoria de Engenharia, Ciências Humanas, Exatas e Sociais do conselho.

Tenente Waiãpi
O Exército brasileiro incorporou em seu quadro de oficiais a primeira tenente índia. Silvia Nobre Waiãpi concorreu com mais de 5 mil candidatos – sem cotas – e foi aprovada com um dos melhores currículos e excelente pontuação. A aspirante nasceu no Amapá da etnia Waiãpi e tem atuação no cenário político indígena.

Juros estratosféricos
O ex-vice-presidente José Alencar recebeu homenagem da Cidade de São Paulo (a Medalha 25 de Janeiro), entregue pela presidente Dilma Rousseff, na presença do ex-presidente Lula. Alencar está fazendo falta, no mínimo por suas críticas à política de juros altos do Banco Central, papel que nunca se imagina que poderá desempenhar o atual vice, Michel Temer.

Conspiração contra o crescimento
Desde o interminável Governo FH, o país assiste ao que Bordieu chama de um debate aparentemente verdadeiro entre monetaristas x “desenvolvimentistas”. As aspas que ladeiam os últimos referem-se à alternativa que opõem à principal arma usada pelos primeiros na sua cruzada anticrescimento. Enquanto os monetaristas, justificando seu epíteto, defendem a institucionalização da política de juros altos como principal mecanismo de concentração de renda, com a drenagem de recursos produtivos e sociais para os rentistas, os “desenvolvimentistas”, tucanos e petistas, optam pela perpetuação de políticas fiscais contracionistas.
Sempre com a ressalva, raramente cumprida,  de que seriam preservados dos cortes os investimentos, como se estes, depois de materializados, prescindissem de manutenção – despesas de custeio em economês – os “desenvolmentistas” argumentam que a desaceleração da economia pela redução da demanda agregada tornaria desnecessário a elevação dos juros, embora, já alguns longos anos, o Brasil ostente a maior taxa real do mundo, numa época de juros globais negativos ou perto de zero.
O debate é apenas aparentemente verdadeiro, porque os monetaristas, recorrendo até a conceitos toscos como o PIB potencial, assumem o desejo de limitar o crescimento brasileiro a taxas medíocres, sempre sob o álibi de resumir os objetivos de governo ao combate à inflação. Já os “desenvolvimentistas”, enquanto insistam em que defendem, via queda de juros, o crescimento, acionam as amarras fiscais que o travam. Na verdade, trata-se da junção de dois instrumentos complementares da ação dos conspiradores contra o desenvolvimento.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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