Diminui risco de apagão, aponta relatório da XP

Reservatórios estão mais cheios, e demanda, menor, mas há risco de falhas em outubro e novembro.

As projeções para um risco de racionamento no Brasil estão diminuindo. Relatórios publicados por Victor Burke, analista de energia e saneamento, e Maíra Maldonado, analista de óleo & gás, energia e saneamento da XP, apontam um cenário menos hostil que o desenhado no primeiro semestre. “Como resultado, atualizamos nossas estimativas e vemos a probabilidade de racionamento nos próximos 12 meses cair para 12,1%, de 17,2% no relatório anterior”, afirmam os analistas.

“O cenário hidrológico em setembro foi melhor que as estimativas, com os níveis dos reservatórios ficando em 29%, impressionantes 7,6 pontos percentuais (p.p.) acima de nossas expectativas, principalmente devido a: 1,8 GW médio de energia importada (não considerada em nosso modelo); demanda 4% abaixo do esperado; e geração hidrelétrica 18% abaixo de nossas expectativas”, disseram os analistas em relatório divulgado nesta quarta-feira.

Por outro lado, a ENA (quantidade de água que chega às hidrelétricas, em unidade de energia) ainda veio 13% abaixo das expectativas dos especialistas da XP, mas não o suficiente para prejudicar o melhor cenário dos reservatórios. O destaque foi a geração solar, que foi 112% acima das expectativas.

“Embora o risco de racionamento tenha diminuído, a menor geração hídrica no Sudeste exige trazer mais energia das regiões Norte e Nordeste, o que coloca mais pressão no sistema de transmissão e exige uma operação com menos backups para atender a demanda de energia. Isso significa que o sistema ficará mais vulnerável a distúrbios como incêndios florestais, tempestades e falhas humanas”, alertam os especialistas.

Segundo eles, com o alongamento do período seco, mais pressão é adicionada às linhas de transmissão. É provável que ocorram “apagões” por volta de outubro/novembro. “Esses ‘apagões’ são temporários e não devem ter impactos relevantes para as empresas do setor, pois duram apenas algumas horas”.

No cenário base da XP, não há a necessidade de racionamento de energia nos próximos 12 meses. “Embora estimamos que os reservatórios atinjam níveis baixos históricos (15% em novembro/2021 para o SIN consolidado), há capacidade térmica suficiente para ser utilizada e evitar medidas mais dramáticas. O ponto de ruptura para nosso modelo é se a energia afluente natural média (ENA) ficar abaixo de 59% da média de longo prazo (anteriormente 63%). De acordo com nossos cálculos, a probabilidade de a ENA ficar em 59% ou menos (portanto, de ocorrer racionamento de energia) é de 12,1%”, destaca o relatório.

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