Diploma superior pode aumentar salário em mais de 450%

Análise de 135 milhões de contratações entre 2020 e 2025 mostra como a educação impacta a renda do brasileiro

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Carteira de trabalho digital (foto de Marcelo Camargo, ABr)
Carteira de trabalho digital (foto de Marcelo Camargo, ABr)

Estudo da Unico Skill com base nos microdados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, aponta a educação como o fator que mais pesa na definição do salário de um trabalhador. Brasileiros com Ensino Superior completo admitidos entre 2020 e 2025 ganharam 50% a mais do que colegas sem graduação universitária em cargos que pedem tal formação, considerando-se o salário inicial – em caso de posições de diretoria, por exemplo, a diferença pode passar de 450%. Em funções que requerem Ensino Técnico, a lacuna é de 42%; nas de Ensino Médio completo, de 17%.

Embora a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) defina o nível de escolaridade esperado para cada cargo, na prática muitas profissões não exigem o diploma como requisito formal de contratação.

Entre as posições com, ao menos, cinco mil admissões tanto entre trabalhadores com diploma universitário quanto entre profissionais sem diploma, a maior diferença salarial é entre diretores gerais de empresas e organizações: os sete mil que possuem formação universitária foram contratados com um salário mediano de R$ 10 mil, mais de 450% acima dos R$ 1.805 oferecidos aos mais de 11 mil que não concluíram o Ensino Superior. Entre os 59 mil gerentes de marketing admitidos no período, a lacuna é de 175%: R$ 8.500 com diploma contra R$ 3.088 sem diploma.

Analisando apenas ocupações que exigem Ensino Técnico, a maior diferença é entre técnicos de vendas. Entre 2020 e 2025, o Novo Caged registrou quase 86 mil contratações para o cargo. Os profissionais com diploma foram admitidos ganhando 123% a mais do que os colegas sem formação universitária: R$ 4.068 contra R$ 1.822. Entre programadores de internet, essa lacuna foi de 99%.

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A vantagem competitiva dos trabalhadores que frequentaram a universidade também é nítida entre as funções que pedem apenas Ensino Médio completo. No período analisado, a diferença mais significativa aparece entre os 26 mil supervisores de produção da indústria alimentícia admitidos no país. Aqueles graduados no Ensino Superior começaram o emprego ganhando R$ 4.943, quase o dobro dos demais (R$ 2.500). Entre supervisores de vendas comerciais, o diploma fez o salário saltar 76%: de R$ 2.149 para R$ 3.775.

O Distrito Federal é a unidade da Federação onde o diploma universitário tem maior impacto no salário inicial do trabalhador em um novo emprego: aumento de 75% nos rendimentos mensais em funções que pedem Graduação superior, de R$ 2.500 para R$ 4.379. Mato Grosso (65%), Tocantins (65%), Mato Grosso do Sul (64%) e Rondônia (60%) fecham a lista dos cinco primeiros. Na parte de baixo, onde a formação acadêmica influencia menos nos ofertas salariais, estão Amapá (36%), Sergipe (34%), Pernambuco (31%), Paraíba (25%) e Alagoas (23%).

Considerando apenas a mediana salarial entre 2020 e 2025, os profissionais com formação universitária contratados para funções que pedem Ensino Superior completo em São Paulo foram os mais bem pagos: R$ 4.394, 47% a mais do que colegas nas mesmas posições. A lista das cinco unidades com maiores salários ainda tem Distrito Federal (R$ 4.379), Rio de Janeiro (R$ 3.700), Rio Grande do Sul (R$ 3.500) e Santa Catarina (R$ 3.500).

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