Direção incerta

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Alvaro Bandeira (foto divulgação)
Alvaro Bandeira (foto divulgação)

O mercado de risco no mundo começou a quinta-feira com direção incerta desde a madrugada na Ásia. Amanheceu, e essa tendência permaneceu nos principais mercados da Europa, nos EUA, na Bovespa e no câmbio. Tivemos muitas trocas de sinais ao longo do dia, indicando rotação de ativos e investidores indecisos, entre seguir com risco e proteção. Aqui, ainda com maior razão, mas o dia aparentemente foi mais tranquilo que os anteriores.

Nos EUA, o presidente do Fed, Jerome Powell, voltou a falar pelo terceiro dia seguido, dizendo que a dívida americana não é sustentável, mas a trajetória é, e a economia ainda precisa de estímulos. Projetou que o ano de 2021 será melhor em função do estímulo fiscal e da vacinação massiva da população. Aliás, Joe Biden declarou que com o estímulo fiscal, as projeções de crescimento em 2021 passaram para mais de 6% e aproveitou para dobrar a meta de vacina para 200 milhões de pessoas em 100 dias. Disse ter sido possível aprovar o pacote de estímulos sem os Republicanos e se prepara para novas frentes, que deseja que seja bipartidária.

Já o vice-presidente do Fed, Richard Clarida, constatou que o mercado de trabalho melhorou, mas que 6,2% de desemprego é alto, e voltou a repetir o mantra que a inflação é transitória. Sobre isso, Charles Evans, do Fed de Chicago, disse que a inflação pode ficar acima de 2% por um bom tempo e só espera alta de juros próxima de 2024.

Ainda nos EUA, os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior encolheram 97 mil posições para 684 mil, quando o previsto era 735 mil. A terceira leitura do PIB do quarto trimestre mostrou taxa anualizada de 4,3%, era esperado 4,1%. A inflação pelo Deflator de Preços do Consumo (PCE) na mesma base atingiu 1,5%, com núcleo em 1,3%.

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O Banco Central Europeu (BCE) constatou que os juros nominais mais altos não foram acompanhados pelos juros reais. No mercado internacional, o petróleo WTI teve mais um dia de queda forte e era negociado em Nova Iorque com queda de 4,59%, com o barril cotado a US$ 58,40, mas esteve mais baixo. O euro era transacionado com queda de 0,29% e cotado a US$ 1,177, e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,63% e grande volatilidade. O ouro e a prata com quedas até modestas e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado em Qingdao, na China, registrou queda de 0,95%, e com a tonelada em US$ 159,85.

No segmento doméstico, tivemos a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), com previsão de queda para o PIB de 2021 para +3,6% (anterior em +3,8%), mas ainda pode encolher mais. No comentário de abertura, passamos alguns dados apresentados, mas o importante é que veio em sintonia com o comunicado e ata do Copom, deixando claro que existe preocupação com a inflação, gastos públicos e introduzindo a possibilidade de alta maior que a esperada de 0,75%, e dependendo do que aconteça, podendo chegar até 1,25%. Algumas previsões já beiram 6% no final do ano.

Reforçando isso, tivemos o IPCA-15 de março, prévia da inflação oficial, com +0,93%, (anterior em 0,48%), acumulando no ano a inflação de 2,21% e, em 12 meses, de 5,52%. Foi a maior taxa para o mês desde 2015 e se mostrou espalhada. Assim, a gasolina não foi a vilã isolada.

A Comissão Mista do Orçamento (CMO) aprovou o texto do relator e encaminhou para plenária. O relator retirou R$ 26,5 bilhões de gastos da Previdência e abono para ampliar emendas parlamentares. Paulo Guedes e Roberto Campos Neto falaram ao longo do dia, dizendo ter um protocolo a ser seguido com a segunda onda da Covid-19.

Falou novamente em tributar dividendos, e com orçamento aprovado, pode acelerar a economia com antecipação de recursos e benefícios de pensionistas. Paulo Guedes disse que com vacinação massiva, a situação pode mudar muito depois de 60 dias. Isso ajudou na recuperação dos mercados, junto com o leilão de linha de dólar, de US$ 3 bilhões e rolagem de swap.

No mercado, quinta foi dia de dólar oscilando bastante para encerrar com +0,55% e cotado a R$ 5,67. Na Bovespa, na sessão do dia 23, os investidores estrangeiros alocaram recursos no montante de R$ 249,8 milhões, deixando o saldo do mês de março negativo em R$ 2,1 bilhões e ingresso líquido em 2021 de R$ 14,7 bilhões.

No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 0,57%, Paris com +0,09% e Frankfurt com +0,08%. Madri em queda de 0,41% e Milão com alta de 0,04%. No mercado americano o Dow Jones com +0,62% e Nasdaq com +0,12%. Na Bovespa, dia de +1,50% e índice em 113.749 pontos, bem ajudada pela melhora do mercado americano.

Ontem, o mercado local reagiu na parte final com a melhora dos mercados nos EUA e perspectiva de aprovação do orçamento de 2021 pelo Congresso. A Bovespa encerrou com alta de 1,50% e índice em 113.749 pontos, dólar com alta de 0,55% e cotado a R$ 5,67; enquanto o Dow Jones fechava com valorização de 0,62% e Nasdaq saindo do negativo, com alta de 0,12%.

Hoje, mercados começando o dia com altas. Na Ásia, Bolsas fecharam a semana com altas acima de 1,50%, Europa começando o dia com valorizações maiores que 0,50% e futuros do mercado americano também no campo positivo. Aqui, chance de mirarmos na volta para os 115 mil pontos, e tentar recuperar o patamar em 117 mil pontos e 118 mil pontos.

Na primeira coletiva de imprensa de Joe Biden tivemos boas notícias, melhorando a meta de vacinação para o dobro, com 200 milhões vacinas nos primeiros 100 dias de governo e falando no pacote de infraestrutura que pretende colocar em discussão e ter apoio bipartidário. Biden disse que a China investe muito mais que os EUA e quer reduzir esse gap. Além disso, segundo declarações de dirigentes regionais do Fed, alta de juros somente para o final de 2023 ou 2024.

No Reino Unido, as vendas no varejo de fevereiro cresceram 2,1% e, na Espanha, o PIB do quarto trimestre ficou estável, mas com queda em 2020 de 8,9%. A Alemanha mostrou o índice IFO de confiança empresarial subindo para 96,6 pontos em março, de previsão de ficar em 93 pontos. Os juros dos treasuries americanos é que voltam a subir na sessão de hoje inibindo um pouco os mercados.

No mercado internacional, dia de alta do petróleo WTI em Nova Iorque de 2,22%, com o barril cotado a US$ 59,86. O euro mostrava alta para US$ 1,179 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,66%. O ouro e a prata tinham altas na Comex e commodities agrícolas com viés de alta na Bolsa de Chicago.

Aqui, ontem, a Câmara e o Senado aprovaram a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2021, mas ficou a sensação concreta da volta da contabilidade criativa para ampliar emendas parlamentares. Na última hora, ainda conseguiram incluir mais, elevando para quase R$ 49 bilhões. Já Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, voltou a criar clima para sagrar o ministro das Relações Exteriores, pedindo mudanças na política externa.

Jair Bolsonaro falou sobre vacinas em sua live querendo atenuação do isolamento e dizendo que vai antecipar o pagamento de aposentados para impulsionar a economia.

Esta sexta-feira contempla agenda que pode mexer com os mercados. Aqui, a nota do setor externo de fevereiro com saldo de conta-corrente e investimento direto no país em fevereiro e, nos EUA, o saldo comercial, renda e gasto pessoal e PCE de fevereiro e a confiança do consumidor de Michigan de março.

Expectativa de Bovespa em alta acompanhando exterior, dólar mais fraco (mesmo com exterior forte) e juros em queda.

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Alvaro Bandeira

Sócio e economista-chefe do Banco Digital Modalmais

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