Direitos trabalhistas retardam explosão do desemprego

O aumento de apenas 150 mil pessoas na fila do seguro-desemprego no Brasil entre março e a primeira quinzena de abril deste ano, em relação ao mesmo período de 2019, e a notícia que cerca de 4,3 milhões de trabalhadores formais tiveram o contrato suspenso ou jornadas e salários reduzidos por até três meses trazem uma notícia boa, duas constatações e um alerta.

A boa notícia é que fica comprovado que os direitos trabalhistas deixam o mercado mais resiliente. Somando o excesso na fila do seguro em relação ao ano passado com os que tiveram contato suspenso ou reduzido, temos pouco menos de 4,5 milhões de pessoas, pouco mais de 13% dos 33,6 milhões de trabalhadores no setor privado com carteira assinada. Nos EUA, onde os contratos lembram os de boias-frias, em cinco semanas de crise causada pela pandemia, 26 milhões engrossaram a fila do seguro-desemprego (lá, como cá, represada pela avalanche de pedidos online).

A primeira constatação é que essa estatística abrange apenas metade do número de trabalhadores no país. Os 11,6 milhões de empregados sem carteira assinada e os 24,5 milhões que trabalham por conta própria não aparecem nos números, e só se poderá ter uma ideia do impacto quando o IBGE divulgar a Pnad Contínua de abril (ao final de maio). Mesmo os números do mercado formal são aproximações, pois desde janeiro o governo não divulga o Caged, devido às dificuldades na mudança da Rais para o eSocial.

A segunda constatação é que, não fossem os freios impostos pelos direitos trabalhistas e as medidas, ainda que insuficientes, para apoiar as empresas a manterem os empregos, o desemprego teria explodido.

Aí vem o alerta: se não forem adotadas medidas mais abrangentes, veremos em três ou quatro meses esta explosão de efeito retardado. Só Paulo Guedes para acreditar que acenando com reformas o país voltará a girar as engrenagens. Os R$ 600 (vezes três) pagos aos informais e MEIs vão desaparecer feito água na areia; os adiamentos de impostos e os empréstimos para bancar a folha de pagamento terão que ser quitados; as empresas, sem poder manter os contratos de trabalho suspensos ou reduzidos, vão demitir.

 

Gripezinha

Bolsonaro afirmou que 70% dos brasileiros serão contaminados pela Covid-19. Com população de 210 milhões, seriam 147 milhões. Se a taxa de mortalidade ficasse em modesto 1%, 1,5 milhão de brasileiros iriam para os cemitérios. Ainda bem que o presidente é tão ruim de Matemática quanto de Medicina.

 

Rastreamento

Não será surpresa se Bolsonaro decidir, na saída da quarentena, adotar o programa Fleming, que usa dados de celulares e saúde para acompanhar possíveis infectados. O sistema é da israelense NSO, que comercializa o Pegasus, que invade o WhatsApp e é muito apreciado pela família.

 

Rápidas

A Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ, com o apoio da escola técnica de turismo Cieth, inaugura nesta quinta a exposição de fotos Rio Maravilhoso, no Facebook, com curadoria de Ana Botafogo e Gustavo Delesderrier. As fotos são de Vanda Klabin, Cristina Lacerda e Bayard Boiteux, entre outros *** Como ficam os contratos dos jogadores de futebol, com a suspensão dos campeonatos e a consequente queda na arrecadação dos clubes? Essa questão será discutida na live que o IAB fará no Instagram, “Os impactos da Covid-19 nos contratos de trabalho dos atletas”, nesta quinta, às 16h, no perfil @iabnacional *** A Associação dos Advogados de SP (Aasp) promove nesta quinta-feira, às 17h, o webinar gratuito “Medidas Provisórias e segurança jurídica”, com o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Alexandre de Souza Agra Belmonte, entre outros. Inscrições aqui *** CEOs da Ambev, Magazine Luiza, Boticário e outros discutem oportunidades para o pequeno varejo superar a crise econômica no bate-papo ao vivo dos embaixadores do movimento Compre do Bairro, nesta sexta-feira, a partir das 11h, no Facebook (@movimentocompredobairro) e outros canais digitais do movimento *** A empresária e jornalista Tatiana Datz, da Agência Datz, falará sobre “Assessoria de imprensa em tempos de Covid”, no próximo dia 6, às 14h, na plataforma Teams da Facha. O link para a palestra será disponibilizado no Instagram @faculdadefacha

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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