Disparidade climática

Reflexão sobre a disparidade climática e desafios para combater as mudanças climáticas em um mundo em constante transformação.

38
geleiras derretidas devido a mudanças climáticas
Foto: Willian Bossen.

Vivenciamos uma enorme diversidade climática, causada não só pelo fenômeno do El Niño, mas pelos efeitos das atividades humanas que contribuem para o aquecimento global, especialmente a queima de combustíveis fósseis. A grande seca nos rios e as queimadas na Amazônia, cuja fumaça adentra a cidade de Manaus, dentre outras ao entorno, bem como os temporais que inundaram parte da região Sul em setembro e agora avançam para o Sudeste e Centro-Oeste, demonstram a disparidade dos fatores climáticos entre as diversas regiões no Brasil.

O impacto de altas temperaturas em várias regiões no mês de setembro, em conflito com o frio e chuvas de granizo no Sul do País, indica sério desequilíbrio climático com consequências para todos, não só do ponto de vista climático, mas social e ambiental. A população em geral não está adaptada para conviver com essa diversidade climática e eventos extremos.

O número de mortes com as enchentes no Rio Grande do Sul chegou a cerca de cinquenta pessoas, e no Norte do país, ribeirinhos e comunidades sofrem pelo fato da seca ter eliminado o único meio de transporte para que as pessoas possam chegar ao comércio e adquirir mantimentos ou mesmo água para beber. Na Amazônia, diferentemente de outros Estados, o meio de transporte e a via de passagem são os rios e igarapés, por meio de barcos, e não as estradas, por meio de veículos automotores. Disso resulta que, tal qual aqueles que dependeram de socorro no telhado de suas casas ilhadas pelas águas no Sul do Brasil, a população ribeirinha da Amazônia está ilhada em meio à lama do leito dos rios secos.

As metas do Acordo de Paris de 2015 em limitar o aquecimento global em 1,5°C até 2050 ainda são um grande desafio, a ponto de o Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU) ter recentemente afirmado que as mudanças climáticas estão fora do controle e que não podemos mais adiar as medidas de proteção ao meio ambiente. As previsões são de que caminhamos para um aquecimento de 3,5°C a 4°C, quando acima de 2°C já seria catastrófico. Nos deparamos com a nossa fragilidade em lidar com eventos extremos, tais como altas temperaturas, secas, inundações, ciclones e furacões, mas temos ainda condições de unir esforços, numa verdadeira “corrida para zero” em relação às emissões até 2050.

Espaço Publicitáriocnseg

Para combater as mudanças climáticas, não é mais suficiente cortar a emissão de gases de efeito estufa. É necessário manter a floresta em pé com seu poderoso poder de fotossíntese, proteger e restaurar os habitats naturais, incentivar a participação nas tomadas de decisão de comunidades tradicionais e povos indígenas, e proteger suas terras. É também urgente o empenho dos setores público e privado, revisão das relações econômicas entre os países, atuação da diplomacia internacional com obtenção do financiamento climático internacional e que todos ajudem compartilhando ideias e ações (acompanhe as hashtags #IPCC #MudancasClimaticas #NaturezaJa)” (in https://www.ipcc.ch/).

Espera-se que a COP 28 (Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), a ser realizada no final desse ano em Dubai, traga soluções para colocar em prática a meta de limitar a elevação da temperatura do planeta a 1,5ºC até 2050, bem como obter o prometido financiamento de US$ 100 bilhões para ajudar as nações menos favorecidas, incluindo o Brasil, na transição climática. Enquanto isso, as comunidades da Amazônia atingidas pela seca tentam sobreviver até serem socorridas e até que os níveis dos rios subam novamente. A resiliência dessas comunidades tem limites. A nossa também.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui